sexta-feira, 16 de junho de 2017

Semana do gostar de ler

A Sala de Leitura Erico Verissimo (FaE/UFPel) localizada no Andar Térreo do ICH, está desenvolvendo uma série de eventos em junho.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes, a sala tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.
Na semana entre 19 e 23, haverá, todos os dias, um pequeno evento: é a semana do gostar de lerAcompanhe a agenda do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária – e participe. Os eventos são abertos e gratuitos.

Semana do gostar de ler.

19/06 – Publicação no Blog da Sala de leitura Erico Verissimo dos resultados da pesquisa O que são “coisas de mulher”? A investigação e seus resultados integra a formação das estudantes de Pedagogia e se insere na micropolítica Leituras para Meninas, desencadeada em 08 de março de 2017;

20/06 – Aula pública de Literatura Infantil. Tema: A invenção da literatura infantil no RS: João Simões Lopes Neto e Erico Verissimo.

Local e hora: Sala 103, Térreo do ICH/UFPel (9-11 horas):

21/06 – Estudo da obra A Zeropéia, de Herbert de Souza. Obra considerada um marco da “literatura infantil para pensar”, o estudo visa aprender a apresentar A Zeropéia às crianças entre dois e 11 anos.
Ministrante: Drª Cristina Maria Rosa
Local e hora: Biblioteca da E.E.E.F. Fernando Treptow (9-11 horas);

22/06 – Leitura para crianças: o GELL visita a Escola Municipal de Educação Infantil João Guimarães Rosa. 

Local e hora: Avenida Herbert Hadler, 1310 - Fragata, 9-11 horas;

23/06 – Leitura Literária na Sala de Leitura: O GELL recebe as crianças do CRAS Vida Ativa – Centro de Referência de Assistência Social.
Local e hora: Sala de Leitura, 9-11 horas.

A sala de leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores.
Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.
Pesquisas indicam que a totalidade das crianças que chegam à escola pública precisam ser alfabetizadas literariamente (ROSA, 2015), uma vez que parte considerável das famílias das quais são oriundas, leem pouco ou quase nada. Resultados de pesquisas recentes indicam que o acesso à leitura literária e o consequente conhecimento de obras, gêneros, ritos e benesses das práticas, ocorre primordialmente na escola e deve ser considerado como um dos saberes na formação de leitores. Sem essa “apresentação”, a leitura tem vida curta nos poucos anos de escolaridade a que são submetidos os filhos das classes populares e cabe ao docente – ao professor dos anos iniciais, especialmente do primeiro ao quinto – ser capaz de tornar o experimento com os primeiros livros e a variedade de gêneros, uma experiência na vida dos pequenos.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Gêneros literários: um trabalho da Sala de Leitura Erico Verissimo

Será na Universidade Federal do Rio Grande – FURG – a 16ª Mostra da Produção Universitária – MPU, entre 04 a 06 de outubro de 2017
Um dos trabalhos que foram aprovados para apresentação oral é intitulado: “QUAIS OS GÊNEROS LITERÁRIOS NA LITERATURA DO PNAIC?” elaborado pela estudante de Pedagogia e bolsista PET Educação Érica Machado Leopoldo.
Orientado pela Drª Cristina Maria Rosa e tendo como palavras-chave: Gêneros literários; Literatura Infantojuvenil e PNAIC, o trabalho investe na categorização, em gêneros literários, de um grupo de obras (60% do total) inseridas nas caixas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. A pesquisa surgiu do contato com os livros que foram enviados às escolas e objetivo da investigação é descrever e analisar a variedade e qualidade textual, temática e gráfica dos livros possuidores do selo “Para o uso nas salas de aula do 1º ao 3º ano”.
O primeiro procedimento metodológico foi a delimitação do acervo: 45 das 75 obras disponíveis foram analisadas. A seguir, um grupo de categorias foram selecionadas para  a análise: variedade e qualidade textual, temática e gráfica da amostra.
Após uma leitura exploratória do acervo, nova leitura, mais criteriosa foi realizada com o fim de organizá-lo em gêneros literários. As demais características de cada uma das obras vêm sendo consideradas e integram um quadro demonstrativo e comparativo dos dados.
O PNAIC e a Literatura
As obras adquiridas pelo MEC para o PNAIC obedeceram a um Edital em que há previsão de uma triagem para garantir a adequação da obra aos gêneros literários previstos. De acordo com Paiva e Cosson (2014, p. 487-488), no entanto, “qualquer estudante de Letras percebe que a classificação dos gêneros adotada pelo MEC é inadequada, pois mistura elementos de ordem diversa em categorizações superpostas”
Ao iniciar a leitura das obras foi possível perceber que há variedade de gêneros no acervo que integra as caixas do PNAIC. Na amostra observada – 45 títulos ou 60% das obras do acervo literário PNAIC 2013 – há 26 textos pertencentes ao Gênero Narrativo (57,8%), 16 ao Gênero Poético (35,6%) e três “Livros de Imagem”, correspondendo a 6,7% do total. Como características marcantes, hibridismo (ROSA, 2016) e paradidatismo.
As conclusões iniciais indicam que parte significativa do acervo (quase 60%) possui obras em linguagem narrativa, embora o Gênero Poético – representado por poemas, haicais, quadras, parlendas, cantigas, trava-línguas e adivinhas – também esteja bem representado, uma vez que se encontram em 35.6% da amostra estudada.
Variedade?
Ao observar a amostra de livros, percebeu-se fragilidade em relação à variedade de gêneros. Entre os 45 livros estudados, não se encontram obras do folclore como lendas e mitos, não há abecedários, apólogos, fábulas, contos, crônica e nem novelas. Também não foram encontrados gibis, livros em quadrinhos e nem travalínguas. Outro gênero que não aparece é o dramático, considerado bastante importante. Além disto, há obras que estão no acervo literário que não se enquadram conceito de obra literária.
As referências
Um grupo de autores ajudou a definir os temas, abordagens, categorias e metodologia empregada no estudo. Eles são:
BICALHO, D. Leitura. Glossário CEALE. Belo Horizonte: UFMG/CEALE, 2014.
BRASIL. MEC. Secretaria de Educação Básica. Acervos complementares: alfabetização e letramento nas diferentes áreas do conhecimento / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. -- Brasília: A Secretaria, 2012. Acessado em 29 mai. 2016. Online. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/
CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: Vários Escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
MANGUEL, A. Uma história da leitura. São Paulo: Cia das Letras, 1997.
PAIVA, A. Critérios de escolha de obras para o PNAIC. Aparecida Paiva: inédito, Pelotas, 2016. Entrevista online concedida a Cristina Maria Rosa em 20/07/2016.
PAIVA, A. e COSSON, R. O PNBE, a literatura e o endereçamento escolar. In: Remate de Males. 34.2 Campinas-SP, (34.2): pp. 477- 499, Jul./Dez. 2014.
PAULINO, G. Leitura literária. Glossário CEALE. Belo Horizonte: UFMG/CEALE, 2014.
ROSA, C. Gêneros literários: o hibridismo. Blog Alfabeto à Parte. Acessado em 21 jul. 2016. Online Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2016/07/generos-literarios-o-hibridismo.html
ROSA, C. O que é poesia? Blog Alfabeto à Parte. Acessado em 11 jul. 2016. Online Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2016/07/o-que-e-poesia.html
ROSA, C. Paradidáticos: isso é literatura? Blog Alfabeto à Parte. Acessado em 11 jul. 2016. Online Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2016/07/paradidaticos-isso-e-literatura.html
SILVA, E. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia de leitura. São Paulo: Cortez, 2002.
SOUZA, R., SILVA, K. e ARIOSI C. A leitura e a função da literatura no PNAIC: para além do deleite. Educação em Revista, Marília, v.17, p. 63-80, 2016, Edição Especial.
TODOROV, T. A Literatura em Perigo. Rio de Janeiro: Difel, 2012.
ZILBERMAN, R. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 2003.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Luís Dill e Qorpo Santo

Após a leitura prévia da obra Qorpo Santo: Diabos e Fúrias, ocorrida em maio de 2017, do encontro de estudos entre os jovens da Escola de Ensino Médio Eraldo Giacobbe, com as mediadoras literárias Érica Machado Leopoldo e Beatriz Helena da Rosa Pereira, no dia 07 de junho na Sala de Leitura Erico Verissimo, chegou o dia de encontrar Luís Dill, o escritor. O “Diálogo com o Autor” aconteceu na sexta-feira, dia nove de junho, entre as 17 e as 20 horas na elegante livraria Vanguarda Técnicos.
O romance
Escrita por autor gaúcho – Luís Dill – a obra Qorpo Santo: Diabos e Fúrias é um romance que apresenta ao leitor em processo fragmentos interessantes da vida e obra de um dramaturgo gaúcho morto há 130 anos. Nomeado como precursor do “teatro do absurdo”, o escritor gaúcho que viveu entre 1829 e 1883, de acordo com Luís Dill, ainda merece muitos outros olhares e o dele, foi registrado em seu livro. A ausência do dramaturgo, poeta e escritor no calendário cultural sinaliza que este gaúcho de Triunfo ainda é – para não perder o jogo de palavras – um corpo estranho na literatura brasileira.
O mote para a escrita de Dill – um romance – foi a encenação, em 26 de agosto de 1966, de três peças de Qorpo-Santo em Porto Alegre. A histórica noite marcou a redescoberta do dramaturgo gaúcho, 100 anos depois que ele escreveu tais textos. Qorpo-Santo diabos e fúrias foi escrito com base naquela referida noite e com base na vida e na obra do dramaturgo. O livro apresenta uma estrutura diferenciada, com depoimentos de gente das letras e dos palcos, incluindo-se aí dois protagonistas da histórica noite: o diretor e o compositor da música de cena.
Quem foi Qorpo Santo?
José Joaquim de Campos Leão é um personagem real. Redescoberto por Aníbal Damasceno Ferreira por volta de 1950, o grande achado foi um volume com 17 peças que representa, até hoje, a parte mais conhecida da produção de Qorpo Santo, de acordo com Prikladnichi (ZH, 16/11/2013).
A primeira montagem de três de suas peças ocorreu em 1966: um sucesso de público e de crítica. A segunda encenação foi no Rio de Janeiro, em 1968. A partir disso, Qorpo Santo recebeu o título de precursor do teatro do absurdo, tornando “parcialmente obsoletos todos os livros de história da dramaturgia brasileira".
Diálogo com Luís Dill
No diálogo com o autor de Qorpo Santo: Diabos e Fúrias (Artes & Ofícios, 2017), o público pode conhecer detalhes de seu processo criativo, no qual recortes de jornais, pesquisa em arquivos e entrevistas com pessoas que de algum modo ocuparam-se do tema foram explicitadas. O grupo que ouviu Dill ficou encantado com a diversidade, qualidade e profundidade da pesquisa empreendida pelo autor porto-alegrense, que guarda em seu escritório, envelopes com material para cada um dos livros que escreveu ou pretende escrever.
Jornalista, premiado escritor gaúcho, Luís Dill é autor de mais de 50 livros para jovens e adultos. Um deles, porém, é para a infância: Arca de Haicais. Nele, uma arca - como e de Noé - apresentada através do formato Haicai, poema de origem japonesa que chegou ao Braisl nos anos 20 de século passado.
A Sala de Leitura e o Curso ofertado
O curso, que foi ofertado em quatro momentos (Inscrição online com limite de 50 vagas e gratuito; Leitura prévia; Estudos com mediadores e; Diálogo com o autor) teve 48 inscritos. Ocorreu na FaE e na Livraria Vanguarda. Após o encontro com Dill, novas ideias surgiram. Fique atento, em breve, elas estarão por aqui.
Para saber mais
Quer saber mais sobre Qorpo Santo? Leia o livro Qorpo Santo Diabos e Fúrias, de Luís Dill (Artes e Ofícios, 2017) ou clique em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2013/11/morto-ha-130-anos-o-escritor-qorpo-santo-continua-sendo-um-nome-a-ser-descoberto-4335955.html




sexta-feira, 9 de junho de 2017

Exposição de Arte de Leitura de Quintal ao Lado

A Sala de Leitura Erico Verissimo recebeu no dia de hoje, 08 de junho, a autora – Cristina Maria Rosa – e a ilustradora – Helena Xavier – o Livro Digital Quintal ao Lado. O objetivo foi dar a conhecer o processo de criação da obra, desde os primórdios até sua finalização. Esse processo teve como pontos crucias a escrita do conto, a composição de cinco ilustrações a partir da leitura dele, a criação de um projeto digital, a elaboração de uma ficha catalográfica, o compartilhamento do resultado via web e a impressão de um exemplar para leitura.
Com uma exposição dos originais que serviram de fonte para as ilustrações do livro e a leitura literária feita pela autora da obra, foi inaugurada mais uma das micropolíticas de leitura da Sala de Leitura Erico Verissimo: o compartilhamento de produtos literários de a audição de escritos.
Presente nesse importante dia, a Diretora em exercício da FaE, professora Mirela Meira. Em suas palavras, Mirela parabenizou a iniciativa e incentivou os estudantes presentes a se incorporarem a projetos em que a arte tem protagonismo.
Entre o grupo de presentes, integrantes do PET Educação, monitores e voluntários da Sala de Leitura, estudantes de Literatura Infantil e a Diretoria do DACE – Diretório Acadêmico da Pedagogia – recentemente eleita e empossada.
A sala de leitura
Criada para promover a leitura literária no espaço acadêmico, a Sala de Leitura Erico Verissimo foi e tem sido responsável por propor e desenvolver micropolíticas de leitura. Entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres – como o Mediadores em Leitura Literária –, Saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes não convencionais como o corredor em frente à sala que se localiza no térreo do ICH.
Inaugurada em 17/12/2015, a sala funciona com a supervisão da Drª Cristina Maria Rosa (FaE/UFPel) e com o trabalho de estudantes (bolsistas PET e voluntários) da Licenciatura em Pedagogia. A cada semestre, oferece uma grade de horários em que pode ser visitada/usada, priorizando os momentos livres dos estudantes, como o intervalo entre turnos, por exemplo.
Para conhecer a sala e participar de suas atividades, fique atento ao BLOG do PET Educação e à página da UFpel. A programação é sempre atualizada e comunicada com antecedência. Gratuitas, todas as atividades são certificadas.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Qorpo Santo na Sala de Leitura: 07 de junho

Com sala lotada por jovens que estudam no segundo ano do Ensino Médio da Escola Eraldo Giacobe, teve início hoje, dia 07 de junho, às 9 horas da manhã, o Curso Qorpo Santo Diabos e Fúrias.
Promovido pela Sala de Leitura Erico Verissimo e com o apoio do PET Educação, o curso foi mediado pela Mestre em Literatura Beatriz Helena da Rosa Pereira e pela Licenciada em Filosofia e Graduanda em Pedagogia Érica Machado Leopoldo.
O foco do curso foi a obra Qorpo Santo Diabos e Fúrias, de Luís Dill. Na abertura, as palavras da Coordenadora da Pedagogia, professora Valdelaine da Rosa Mendes que ressaltou a importância de eventos na formação de professores. A Diretora em exercíco da FaE, professora Mirela Meira, saudou os jovens e acrescentou que a arte é fundante do mais belo em cada um  de nós e é o que nos agrega e nos humaniza.
O curso terá como segundo tempo um diálogo com o autor que, no dia 09 de junho, a partir das 17 horas, se fará presente na Livraria Vanguarda Técnicos.
Sinopse: São cinco os jovens integrantes do grupo M.O.R.T.E: Olívia, Enrique, Raian, Melissa e Ticiane. Eles têm como objetivo ensaiar a peça A caseira, criação do grupo, para apresentação no Teatro Armando Albuquerque, na escola que estudam. Pela controversa temática e diante de críticas de alguns professores, o grupo decide conhecer e ensaiar a peça As relações naturais, de Qorpo Santo, tão polêmica quanto a construída pelo grupo. Jovens estudantes que vivem em um período recente da história brasileira – 2013, o ano das manifestações intensas nas ruas – expressam opiniões diferente sobre questões políticas e morais. Com seus “pensamentos questionadores” e sentindo o peso do movimento de mudança em suas vidas sociais e como indivíduos, conseguem manter um convívio harmonioso durante os “ensaios”.
Ao “comparar” o tempo em que vivem com a Porto Alegre de Qorpo Santo – um gênio e/ou doido que escreveu incessantemente não foi compreendido pelos seus, sendo internado muitas vezes em hospícios –, os jovens amadurecem e oferecem paralelos entre 2013 e 1866.Se ainda hoje a genialidade e a audácia de Qorpo Santo são questionadas, como falar de Qorpo Santo? Como abordar Luís Dill? A obra de Dill fala de Qorpo Santo?
Meninos e meninas: leitores!
A Escola de Ensino Médio Eraldo Giacobe, de Pelotas, é a primeira escola regular de Ensino Médio do Sesi-RS. Sua proposta é ser “modelo” e, para tal, o projeto foi desenvolvido pelo com apoio de consultores doutores, com base nos melhores sistemas de educação.
A intenção é ser referência na educação para o mundo do trabalho com excelência acadêmica.
A escola – que busca o desenvolvimento integral do estudante com a construção de competências e habilidades via resoluções de problemas pautados no mundo do trabalho e com uma avaliação desafiadora e motivadora – recebe no máximo 150 estudantes em turmas de aproximadamente 26 adolescentes.
Com turno estendido, os meninos e meninas têm uma matriz curricular organizada em Código e Linguagens (30%), Matemática e Ciências Naturais (50%) e o restante em Ciências Humanas - história, geografia, sociologia e filosofia.
Na Sala de Leitura Erico Verissimo a moçada leu, falou, tomou café, dialogou e nos encantou. Acompanhados da Professora Juliane da Silveira Garcez e da Bibliotecária Adriana da Silva Sanches, mostraram a todos que a leitura é ponte para criar novas e interessantes relações.

Aguardamos a todos para a próxima!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sala de Leitura: estrela de um Curta!

A Sala de Leitura Erico Verissimo recebeu no dia de hoje, primeiro de junho de 2017, uma visita inusitada: uma equipe de estudantes de jornalismo e cinema vinculados ao PET GAPE, tutoriado pela professora Lilian Lorenzato. O objetivo da visita foi inserir a sala e seus projetos em um Curta institucional da FaE/UFPel.
Encomendado ao PET GAPE pelas coordenadoras da Licenciatura em Pedagogia, professoras Mara Osório e Valdelaine Mendes, o curta objetiva apresentar aos estudantes da Pedagogia todos os docentes (formação e linha de trabalho), seus ambientes de pesquisa e extensão e seus projetos.
Criada para promover a leitura literária no espaço acadêmico, a Sala de Leitura Erico Verissimo foi e tem sido responsável por propor e desenvolver micropolíticas de leitura. Entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres – como o Mediadores em Leitura Literária –, Saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes não convencionais como o corredor em frente à sala que se localiza no térreo do ICH.
Inaugurada em 17/12/2015, a sala funciona com a supervisão da Drª Cristina Maria Rosa (FaE/UFPel) e com o trabalho de estudantes (bolsistas PET e voluntários) da Licenciatura em Pedagogia. A cada semestre, oferece uma grade de horários em que pode ser visitada/usada, priorizando os momentos livres dos estudantes, como o intervalo entre turnos, por exemplo.

Para conhecer a sala e participar de suas atividades, fique atento ao BLOG do PET Educação e à página da UFpel. A programação é sempre atualizada e comunicada com antecedência. Gratuitas, todas as atividades são certificadas.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Leitura Literária na E.M.E.F.Antonio Joaquim Dias.

 Na manhã e na tarde do dia 18 de maio, quinta-feira, ocorre a primeira visita do GELL – Grupo de estudos em leitura literária – à Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Joaquim Dias, que se localiza na zona rural de pelotas.
Cercada por sítios, a escola recebe crianças pequenas (de cinco a 11 anos) inteligentes, alegres e que gostam muito de ler. O convite, vindo da professora Cristiane Mascarenhas, foi endereçado ao grupo de Leitura Literária na Escola, que existe desde 2001 na FaE/UFPel.
Pela manhã, o grupo será liderado pela Bruxa Mor. Mas  a Fada Madrinha, a Drª Girafalda Bixófila, a Branca de Neve, a Chapeuzinho Vermelho, a Cinderela e o “Doutor SabeTuuuuuudo” estarão por lá, de olho nas maldades dela. Acompanhados da "Violeira GabiLeal", será uma festa a ida do grupo à escola.
À tarde, o papinho com as crianças será de responsabilidade da Bruxa Mor, que, com seus 497 anos, vai ler para as crianças histórias verdadeiras. Também, ela tem um livro de família, herdado de seu tio, o Bruxo Charles Perrault. Quando este a presenteou, no século XVII, já contava 628 anos. Imaginem então, quantos anos tem o livro...

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Leituras para os pequenos: EMEI Bernardo

Na manhã do dia 11 de maio, ocorreu a primeira visita do GELL – Grupo de estudos em leitura literária – à Escola Municipal de Educação Infantil Bernardo de Souza. O convite, vindo da Diretora da Escola, professora Luana, foi endereçado ao grupo de Leitura Literária na Escola, do qual participam algumas estudantes bolsistas PET Educação. O desejo da diretora era que o grupo lesse para as 200 crianças que, em dois turnos, recebem uma educação de qualidade. A EMEI Bernardo se localiza na Rua Padre Anchieta, 3553. Para quem ainda não conhece, a referência é a Igreja da Luz.
As estudantes petianas Cinara Tonello Postringer (Fada),  Cláudia Souza (Fotógrafa), Érica Machado Leopoldo (Chapeuzinho Vermelho), Ieda Kurtz (Drª Girafalda Bixófila), Priscila Brock (Branca de Neve) e Roselaine Reis (Bruxa) encantaram as crianças com suas brincadeiras e livros. Foi uma festa o Leitura literária na EMEI Bernardo! Após o acontecido, a diretora escreveu: “Obrigada, Cristina. Elas fizeram sucessooo! Vamos querer bis!”
O Projeto
O Projeto "Leitura Literária na Escola" (COCEPE Número 52970044) vem sendo desenvolvido desde 2001 na UFPel, prioritariamente em instituições públicas de ensino infantil e fundamental.  Através dele são realizadas, semanalmente, leituras literárias para crianças. Essas leituras variaram de clássicos a modernos, passando por lendas, poesias e fábulas. Os leitores são estudantes da Licenciatura em Pedagogia e Letras, bolsistas do PET/Educação e voluntários.
Tendo como objetivos formar e qualificar professores leitores, entusiasmar estudantes a se tornarem pesquisadores no campo da leitura literária e oportunizar a todos os envolvidos o conhecimento de autores, gêneros e títulos da literatura para crianças, o Projeto Leitura Literária na Escola em como estrutura o estudo, a pesquisa e a intervenção, além da reflexão e da autoria, ao final de um ano de trabalho, de reflexões acerca do realizado em formato de artigo
Fazer com que estudantes de Pedagogia e professores que estão na escola dialoguem sobre a leitura literária, trocando informações e saberes, práticas e procedimentos também é um dos motivos que fazem com que o projeto tenha continuidade e seja, constantemente, avaliado e renovado.
Oportunizar a crianças que frequentam a escola o contato com a produção literária brasileira, especialmente, tem sido um dos focos do projeto que, em tempo concomitante, impulsiona os estudantes a saberem mais sobre a literatura e seus efeitos imensuráveis na vida escolar dos pequenos. Nesse aspecto, compartilhamos o pensamento de Fanny Abramovich (1997), para quem a literatura é a porta para um “caminho infinito de descobertas e compreensão do mundo”.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Brinquedos Prediletos: Uma pesquisa

Mimadinha,
a boneca de uma das participantes
Antecipando a Semana Mundial do Brincar, que ocorre entre 21 a 28 de maio, demos curso a uma pesquisa informal, em nossa lista de contatos, sobre o brinquedo predileto de cada um.
A consulta – uma brincadeira com pessoas entre seis e setenta e nove anos via WhatsApp – foi inspirada no convite enviado pelo Rogério Würdig, brincador e atual diretor da FaE/UFpel, que, em 01 de maio de 2017,  nos comunicou a respeito da Semana Mundial do Brincar promovida pela Aliança pela Infância, cujo tema, neste ano, é “O Brincar que Encanta o Lugar”.
No mesmo dia do envio da pergunta, muitos responderam indicando que havíamos tocado em memórias preciosas, inesquecíveis. A seguir, os respostas de quatro crianças (duas meninas e dois meninos), dezoito homens e cento e uma mulheres que, até agora, responderam.

Brinquedo predileto
O brinquedo citado como preferido por trinta e duas pessoas foi “boneca”. Isso corresponde a 26% do total de respostas e elas foram enviadas por meninas e mulheres. Muitas enviaram a foto da boneca que ainda guardam, outras mencionaram seus nomes (Mimadinha, Neneca, Lúcia, Ana...). Contaram do que eram feitas (de retalhos, porcelana, louça, massa, papel, pano, plástico) e uma até disse que a sua desmanchou, quando foi colocada na chuva. Outras, meninas de outrora, mencionaram o que havia nestes brinquedos que as encantavam : elas choravam, comiam, faziam xixi, abriam e fechavam os olhos, algumas tinham cheirinho.
Na pesquisa, compreendemos que para o grupo ouvido, as bonecas são as grandes companhias das infâncias de parte considerável das meninas, mas não da maioria, pois há entre elas as que gostam de bola, bibicleta, patins e até carrinhos.
Brinquedos que tiveram mais de uma menção foram: brincar com uma bola (seis), ter ou brincar com bichos de pelúcia (seis), brincar de bicicleta (quatro), com casinha de boneca (quatro). Ocorreu empate entre as vezes que carrinhos, panelinhas, bolinhas de gude, esconde-esconde e videogames foram lembrados como prediletos: três pessoas cada.
Ler (livros e gibis), ouvir música (discos) ou brincar de escola ou com “coisas de escola” foi citado por nove adultos como brinquedo predileto em suas infâncias. Brinquedos com controle remoto (moto, avião), quebra-cabeça, carrinho de lomba ou rolimã e brincar de sapata foram citados duas vezes cada. Três pessoas disseram que seus brinquedos foram tantos que não sabem escolher um predileto.
As brincadeiras listadas a seguir foram citadas uma vez cada, entre elas, fazer teatro com os irmãos, jogar amarelinha, pense-bem, três Marias, taco, bilboquê, bola ao pé, cai-não-cai. Andar à cavalo, com “pé de lata”, de patins, triciclo ou roller e pular elástico tambpém foi considerado brincadeirta predileta. Não faltou  brinquedos de encaixar, soltar pandorga, brincar com bonecas de papel e suas roupas.
Alguns mencionaram invenções como brincar com uma tampa de panela e um saco de plástico na cabeça. Outros, disseram gostar de água-play, de girafa de plástico, de dinossauros, caixa registradora, liquidificador. E tem uma professora que um dia foi babá e disse: “Lembro de assistir ao filme “Rei Leão” mil vezes, e chorar sempre, com o menino que amei cuidar”. Duas informantes que moravam no campo quando crianças mencionaram fazer "casinha no mato", brincar de fazenda com os ossinhos e com boneca de pano vestidas com roupas de bebê, “pois minha mãe teve quatorze filhos e sempre havia alguma touca cheia de frufus para brincar”. Um jovem respondeu mandando uma foto de seus índios de plástico.

Um pedacinho de infância nos depoimentos:
Algumas pessoas se emocionaram ao rememorar seus brinquedos. Mandaram um depoimento por escrito ou em mensagem de voz, que muito nos alegrou. Agradecemos a todos que reponderam e que abriram sua memórias. Foi lindo saber que a infância de muitos teve sonho, bricadeira, brinquedos, amigos, alegrias. E que além de pertencerem a seus guardados emocionais, alguns desses brinquedos ainda existem...

Os depoimentos
“Tenho minha boneca Mimadinha há 40 anos. Ganhei dá minha avó quando tinha 7 anos. Está velhinha, mas não deixo ela por nada...”
“Tive dois: um macaco de pelúcia que tomava mamadeira, presente de Natal. Meu pai me levou em uma loja que tinha um andar inteiro de brinquedos e eu podia escolher o que quisesse, inclusive uma boneca. Quando vi o "Tico", não quis outro presente. Eu tinha 7 anos e ainda tenho ele comigo passados 37 anos.  O outro, um jogo de panelas de plástico onde cada panela tinha um rosto. A de arroz, a cara de um chinês.  Tinha fogão e também um bule. As panelas eram coloridas. Eu escolhi no dia das crianças.  Meu pai queria me dar panelas de verdade em tamanho pequeno,  mas eu queria aquelas. No dia das crianças, minha irmã maior brincou comigo.  Colocamos arroz e feijão nas panelas e fizemos de conta que cozinhávamos. Também fizemos suco. Por muitos anos brinquei com essas panelas que depois dei pra uma prima, quando cresci.
“Meus prediletos eram aranhas, sapos, lagartixas, cobras de plástico e cachorros de verdade”.
“Meu brinquedo predileto foi um carrinho. Era um fusca verde, tão pequeno que cabia na minha mão. Eu sempre quis ter um carrinho, mas era menina e não podia. No meu aniversário de 8 anos, ganhei do meu tio. Só para zoar comigo, mas tenho ele guardado até hoje! Da mesma forma, quando tinha um quadro e meu sonho era ganhar uma caixinha e giz. Tenho esta caixa com apagador até hoje, usei no meu estágio. Foi incrível essa magia. Sempre gostei de brincar de ser professora e hoje sou uma professora muito feliz”.
“Bonecas. Tive quatro em toda a minha infância. A Ana Lúcia que era grande e as gêmeas, que eram duas bonecas iguais. Todas com rosto de porcelana e cujos olhos abriam e fechavam e um boneco grande que eu chamava Janjão e que várias vezes foi consertado, pois minhas amigas enfiavam os dedos nos olhos e eles iam para dentro”.
“Um pequeno urso que quando eu dava corda ele andava, pois tinha rodinhas embaixo do pé e tocava musiquinha”.
“Meu brinquedo era um boneco. Eu não brincava com ele. Só estava lá e na minha imaginação, era meu filho”.
“As casas de bonecas que fazíamos dentro de revistas. Recortávamos gravuras: moças, rapazes, salas, cozinhas, quartos, banheiros, roupas... Colocávamos cada uma numa folha de revista, que era a casa da boneca e, assim, tínhamos várias casas de bonecas. Foi um dos primeiros livros artesanais da minha infância. Sou de 1957. Revista manchete, Cruzeiro...”.
“Uma boneca de pano negrinha com cabelos cor de rosa que minha mãe fez. Ela carregava seu bebê na barriga, tinha uma abertura que se podia simular um parto e ainda possuía seios para amamentar.
“Meu brinquedo predileto foi uma tampa de panela e um saco plástico na cabeça. Isso ocorreu por causa do Senna, eu brincava de ser o Senna sempre. Até hoje me dá um nó na garganta quando vejo o acidente”.
“Meu brinquedo predileto foi o patins, fazia manobras radicais!”
“Meu predileto foi boneca e bolinha de gude. Cresci numa família que considerava brinquedo igual a objeto desnecessário”.
“Gostava muito de brincar com bichos de plástico montando fazendinhas e depois de certa idade, brincava de escola, onde eu sempre era professor”.

Um depoimento gravado
Na segunda-feira dia 08/05, encontrei uma das pessoas que havia mandado a mensagem. Logo que me viu, mencionou a pesquisa, dizendo que não havia respondido. Junto com uma cunhada que a visitava, ficamos ali as três, de três gerações diferentes, relembrando o passado. Animadas pela minha curiosidade, as duas se puseram a rememorar e, imediatamente, solicitei que gravássemos a conversa. Foi dela que resultou o seguinte depoimento:

“Brincávamos com casinha de torrão, quincha de santa fé, fazia uma casinha no mato, fazia comida de panelinha, um foguinho de chão. O teto era com macega e Santa fé, o ponto em cima com agulha de arame e imbira, tira de imbira, dava o ponto em cima para segurar a quincha. E tinha o gado do campo, as ovelhas que eram ossinhos das canelas das ovelhas: tinha o touro, a ovelha, o carneiro, a vaca que dava leite, o terneirinho... Durante a sestea do pai e da mãe, dos meus cinco aos doze, treze anos, quando comecei a namorar, eu brincava de fazendinha, de boneca, de casinha no mato. Bonecas: eram umas bonequinhas de pano, paninhos enroladinhos. Minha mãe era costureira, nós pegávamos os retalhos e enrolava o corpo das bonecas, fazia os bracinhos com paninhos mais fininhos, fazia as perninhas com paninhos mais grossinhos. Pegava as roupas das crianças – minha mãe teve 14 filhos, sempre tinha roupa de criança pequenas aquelas toquinhas cheias de frufru. Era muita boneca: as mães, avós, filha, tia. E tinha os noivos. Posso gravar isso? Os bonecos homens tinham uns tiquinhos. Nós éramos espertas, sim. Fazíamos o casamento. Noivavam, casavam, namoravam, tudo. Quando era para ter filho, botávamos uma barriga postiça, nas bonecas, depois nascia a criança”.