terça-feira, 29 de agosto de 2017

Semana “Ler não entra em recesso!”

A Sala de Leitura Erico Verissimo (FaE/UFPel) estará desenvolvendo uma série de eventos nos dias de recesso entre o primeiro e o segundo semestre letivos da UFPel. Todos gratuitos, focam a formação do leitor literário e a formasção do professor na escola.
Apoiada pelo PET Educação, o GELL desenvolve micropolíticas de leitura, entre elas, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes.
Acompanhe a agenda do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária – e participe dos eventos.
Semana “Ler não entra em recesso”.
29/08 – Reunião preparatória para o curso de formação de professores a ser desenvolvido no sábado, dia 02. Foco: Apresentar autores e suas obras para os professores, demonstrar nosso encantamento com os livros e a leitura, afirmar a importância da leitura para crianças e indicar possibilidades de trabalho com autores, livros e gêneros diferenciados. Local: Mercado Central, 18 horas;
30/08 – Publicação no Blog da Sala de Leitura Erico Verissimo dos resultados da pesquisa “A professora, o aluno e os ovos” te representa?
A investigação informal e seus resultados integra a formação das estudantes de Pedagogia Pensando sobre a Profissão, desencadeada em 01 de agosto de 2017 pelo PET Educação.
Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2017/08/a-professora-o-aluno-e-os-ovos-te.html

31/06 – Leitura na Escola
Leitura da obra A Zeropéia, de Herbert de Souza, para as seis turmas de crianças entre quatro e cinco da EMEI Ruth Blank.
Local: Parqeu Dom Antonio Záatera, 221. Hora: manha, 9 horas; tarde: 15 horas.
Leitura de Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato para os quintos anos da Escola Fernando Treptow. Manhã, na Biblioteca da escola.

01/09 – Leitura Literária
Leitura de Contos de Horror para os 9º anos da Escola Fernando Treptow.
9 horas da manhã, na Biblioteca da escola.
Leitura de Ana Maria no Castelo Encantadso, de Erico Verissimo, para as crianças da E.E.E.F Padre Anchieta.
Local e hora: Av. Domingos de Almeida, 3150/Areal. 14 horas

02/09 - Curso de Formação de professores em leitura literáaria.
Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Joaquim Dias. 
Local e data: Sábado, 9 às 11 horas nas dependências da escola.
Av. Cidade de Lisboa, 2640.

A sala de leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores.
Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.
Pesquisas indicam que a totalidade das crianças que chegam à escola pública precisam ser alfabetizadas literariamente (ROSA, 2015), uma vez que parte considerável das famílias das quais são oriundas, leem pouco ou quase nada. Resultados de pesquisas recentes indicam que o acesso à leitura literária e o consequente conhecimento de obras, gêneros, ritos e benesses das práticas, ocorre primordialmente na escola e deve ser considerado como um dos saberes na formação de leitores. Sem essa “apresentação”, a leitura tem vida curta nos poucos anos de escolaridade a que são submetidos os filhos das classes populares e cabe ao docente – ao professor dos anos iniciais, especialmente do primeiro ao quinto – ser capaz de tornar o experimento com os primeiros livros e a variedade de gêneros, uma experiência na vida dos pequenos.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes, a sala tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ler literatura é essencial à vida humana: Carta em defesa do PNBE


Literatura nas escolas públicas: conquista da Educação que não deve ser interrompida.

Há 17 anos, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil− FNLIJ promove, na cidade do Rio de Janeiro, o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, com foco na literatura para esse público. Nesse evento promovido anualmente o livro de literatura é o centro das atenções de crianças, jovens, pais, professores, escritores, ilustradores e especialistas. No Salão FNLIJ do Livro não há livros didáticos, de autoajuda, religiosos, de referência ou educativos. Além da literatura, estão presentes exclusivamente os livros informativos. Toda a programação do evento, que inclui lançamentos, encontros, seminários, performances dos ilustradores e exposições, ocorre em torno da leitura dos textos e da apreciação das ilustrações. Crianças e jovens que visitam o Salão da FNLIJ são presenteados com um livro de literatura. Na cultura escrita, a literatura, por ser expressão máxima da arte de pensar e escrever, é que nos possibilita conhecer e refletir sobre o mundo e as pessoas, de forma livre e, por isto, sua leitura favorece o desenvolvimento da crítica e da criação.
A FNLIJ, criada há 47 anos, é seção brasileira do International Board on Books for Young People/IBBY. Tem como objetivo institucional contribuir para a formação de leitores por meio da literatura. Há 41 anos, criou o Prêmio FNLIJ para eleger os melhores livros para crianças e jovens publicados anualmente no país, contemplando 18 categorias. É a instituição responsável pelas indicações bienais ao Prêmio Hans Christian Andersen, do IBBY, dentre as quais 3 foram vitoriosas, a saber: as escritoras Lygia Bojunga(1982), Ana Maria Machado ( 2000) e o ilustrador Roger Mello ( 2014).
Há 30 anos, com o projeto Ciranda de Livros (1982 a 1985), a FNLIJ foi pioneira em levar livros de literatura para escolas públicas mais carentes do país plantando sementes de bibliotecas. Em 1984, recebeu o reconhecimento da UNESCO com o Prêmio de Alfabetização. Foi a Ciranda de Livros que inspirou o Ministério da Educação e da Cultura/MEC a criar, em 1984, o Programa Sala de Leitura−PSL, a primeira ação do governo federal voltada para a compra e distribuição de livros de literatura para algumas escolas públicas. Em1997, o PSL passou a ser o Programa Nacional Biblioteca da Escola /PNBE, levando a literatura a todas as escolas do Ensino Fundamental do país. A partir de 2000, o PNBE se expandiu para o Ensino Médio e hoje podemos afirmar que todas as crianças e jovens das escolas públicas têm garantido o direito aos livros de literatura. Por sua vez, alguns estados e municípios criaram seus próprios programas, ampliando a presença desses livros nas escolas.
Com o PNBE e os outros programas locais conquistamos um objetivo de valor inestimável para a Educação brasileira: a garantia do acesso de crianças e jovens à cultura escrita, por meio da literatura, com as melhores histórias do Brasil e do mundo, um patrimônio universal que todos têm direito de conhecer, desde cedo, como afirma a escritora e acadêmica Ana Maria Machado.
Considerando que, na perspectiva de uma formação humanista, a leitura literária é o principal alicerce para a educação de nossas crianças e jovens, a FNLIJ, a mais antiga instituição no país dedicada a esse tema, faz um apelo ao Exmo. Ministro − que, como leitor, certamente conhece o valor desse simples mas poderoso ato para viver com qualidade − que preserve de possíveis cortes orçamentários a compra de livros de literatura para as escolas públicas.
Ao agir de maneira inversa ao que ocorre em momentos de crise, quando os cortes de verbas costumam atingir primeiramente as ações relacionadas à cultura e às artes, não interromper o programa anual de compra e distribuição de livros de literatura para crianças e jovens das escolas públicas é uma demonstração de quão importante o governo brasileiro considera garantir o direto democrático às histórias que estão nos livros de literatura, principalmente para aqueles cujas famílias não podem comprá-los para si.
Ler Literatura não é uma atividade supérflua ou dispensável. Ler literatura é essencial à vida humana.
A escola pública no Brasil é, para a maioria de crianças, a porta de entrada para o contato com a cultura escrita, que deve ser prazeroso, atraente e permanente como o é para aquelas crianças de famílias que têm condições financeiras e culturais para proporcionar-lhes a magia que é ouvir histórias dos livros.

Elizabeth D’Angelo Serra- Secretária Geral
Conselho Diretor:
Isis Valéria Gomes – Presidente
Marisa de Almeida Borba





quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Fidedignidade: uma qualidade em pesquisa

Fidedignidade: uma qualidade em pesquisa
Cristina Maria Rosa

Tu sabes o que é fidedignidade?
É ser fiel à verdade, ser leal, exato, verídico. Em pesquisa, é ser capaz de expressar o que se os dados revelam. Para o dicionário Aurélio, é a “Qualidade daquele ou daquilo que é fidedigno” e fidedigno, é “digno de todo o crédito”.
Todo pesquisador, mesmo que discorde de resultados de pesquisas a partir de evidências que os dados revelam, deseja ser fidedigno. Deseja ser capaz de revelar, a si mesmo e aos demais, as informações que, em entrevistas, questionários e observações pode colher como retrato de um tempo, um momento, uma realidade.
Mas pesquisar é muito mais do que ser fidedigno, uma vez que pressupõe relação entre dados. E essas relações são de vários tipos, entre eles, as relações de inteligência(pensar) sobre as revelações, dedúvida (questionar) sobre os dados e suas revelações, de ponderação(supor) sobre o evidenciado, deafirmação (concluir) de pequenas “verdades” e de estabelecimento deparâmetros (generalizar) para pesquisar mais e com maior afinco.
No entanto, nenhuma pesquisa pode deixar de ser fidedigna, sob o risco de perder a credibilidade.
Pesquisa Qualitativa
A pesquisa e, especialmente, a pesquisa de cunho qualitativo, de acordo com Van Zanten (2004) pressupõe que o ponto de vista do investigador seja “um pouco mais válido do ponto de vista científico” que os demais olhares a respeito do mesmo fenômeno, pois este olhar – o do pesquisador – “representa rigor no trabalho de investigação”.
Por ser um trabalho no qual se aplica técnicas, seus resultados se inscrevem em um campo de produção científica, mesmo quando se trata de um estudo pequeno, localizado. Assim, sua validade diz respeito à contribuição que oferece a um conhecimento já existente.
É bom lembrar que toda investigação aponta algo novo ao campo total de conhecimento e esse “novo” pode ser um olhar a respeito de um fenômeno, uma forma de olhar, um recorte que revela algo inusitado, uma peculiar relação estabelecida entre dados e mesmo, a negação de tudo que anteriormente se sabia a respeito do estudado.
A questão central em pesquisa qualitativa não é o tamanho do grupo que se estuda e, sim, o enfoque que se pode dar aos dados revelados. E não se pode ignorar que a maneira como são restituídos os resultados também produzem efeitos nas idéias e em sua generalização. Ou seja, a cada vez que se disponibilizam dados coletados, estes se integram ao público que os conhece que, desta forma, se torna mais culto em relação ao fenômeno.
Leia mais sobre o tema em:

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Infância reconhecida: uma carta aos professores.

Infância reconhecida: uma carta aos professores.
Cristina Maria Rosa

Quando entregou, em 1998, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, o Ministro da Educação à época, escreveu uma Carta aos Professores de Educação Infantil. Ela está disponível, na íntegra, em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf. Um dos aspectos contidos na carta capturou minha atenção:

“Considerando a fase transitória pela qual passam creches e pré-escolas na busca por uma ação integrada que incorpore às atividades educativas os cuidados essenciais das crianças e suas brincadeiras, o Referencial pretende apontar metas de qualidade que contribuam para que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas identidades, capazes de crescerem como cidadãos cujos direitos à infância são reconhecidos”.

“... cidadãos cujos direitos à infância são reconhecidos”. Interessante! Leia na integra a carta, e observe a educação que estamos oferecendo a nossos pequenos nas escolas...


“É com muito prazer que lhe entregamos o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil referente às creches, entidades equivalentes e pré-escolas, que integra a série de documentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais elaborados pelo Ministério da Educação e do Desporto. Atendendo às determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) que estabelece, pela primeira vez na história de nosso país, que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica, nosso objetivo, com este material, é auxiliá- lo na realização de seu trabalho educativo diário junto às crianças pequenas. Considerando a fase transitória pela qual passam creches e pré-escolas na busca por uma ação integrada que incorpore às atividades educativas os cuidados essenciais das crianças e suas brincadeiras, o Referencial pretende apontar metas de qualidade que contribuam para que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas identidades, capazes de crescerem como cidadãos cujos direitos à infância são reconhecidos. Visa, também, contribuir para que possa realizar, nas instituições, o objetivo socializador dessa etapa educacional, em ambientes que propiciem o acesso e a ampliação, pelas crianças, dos conhecimentos da realidade social e cultural. Este documento é fruto de um amplo debate nacional, no qual participaram professores e diversos profissionais que atuam diretamente com as crianças, contribuindo com conhecimentos diversos provenientes tanto da vasta e longa experiência prática de alguns, como da reflexão acadêmica, científica ou administrativa de outros. Ele representa um avanço na educação infantil ao buscar soluções educativas para a superação, de um lado, da tradição assistencialista das creches e, de outro, da marca da antecipação da escolaridade das pré-escolas. O Referencial foi concebido de maneira a servir como um guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, conteúdos e orientações didáticas para os profissionais que atuam diretamente com crianças de zero a seis anos, respeitando seus estilos pedagógicos e a diversidade cultural brasileira. Esperamos que os esforços daqueles que participaram dessa empreitada, em nome da melhoria da educação infantil, possam reverter em um enriquecimento das discussões pedagógicas no interior de cada instituição, subsidiando a elaboração de projetos educativos singulares, em parceria com as famílias e a comunidade” (Paulo Renato Souza. Ministro da Educação e do Desporto. Brasil, 1998).

sábado, 15 de julho de 2017

Semana Literária Herbert de Souza, o Betinho


A segunda semana de julho (10 a 14/07/2017) foi intensa na Sala de Leitura Erico Verissimo. Dedicada ao Escritor Herbert de Souza, o Betinho, teve aula na Livraria, matéria publicada em BLOG, crianças brincado de guarda-chuva e sanduíche de atum com suco de uva.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes, a Sala de Leitura tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.
Conheça a agenda desenvolvida pelo Gell – Grupo de Estudos em Leitura Literária – que culminou com uma Visita guiada à Sala para o primeiro Semestre da Pedagogia da FaE/UFPel.
10/07 – Atividades
1.      Estudos da obra A Zeropéia, de Herbert de Souza
O livro “A Zeropéia” foi escrito para as crianças pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e lançado em 1993. É uma interessante narrativa que ensina as crianças e serem elas mesmas, com suas próprias idéias na cabeça. Este foi o caminho que Betinho encontrou para mostrar à criança que precisamos, antes de tudo, gostar de nós mesmos. Respeitar as opiniões diferentes não significa abdicar de nossas próprias idéias. Existe também um CD “A Zeropéia”, que foi lançado em Belo Horizonte no ano de 2004.
Local e hora: Sala de Leitura, 17 horas
11/07 – Aula pública de Literatura Infantil. Tema: Critérios de escolha e de relevância de obras literárias infantis: um estudo
Local: Livraria Vanguarda, das 9 às 11 horas
12/07 – Reunião de preparação para as leituras públicas da semana.
Local e hora: Sala do PET Educação, das 10 às 12 horas;
13/07 – Quinta-feira             
1.      Leitura literária para crianças: o GELL recebe o 5º Ano da E.E.E.F. Dr. Brusque Filho, para a leitura de A Zeropéia.
Acompanhados da Professora Isabel e da Diretora Érica, as crianças se divertiram ouvndo e lendo. 
Local e hora: Alberto Rosa, 154. Sala 04/Térreo do ICH, 9 horas.
2.      Leitura de Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato para os 5º Anos da E.E.E.F. Fernando Treptow
Local e hora: Rua Ernani Fornari, 221 - Fragata, Pelotas, 9 horas.
14/07 – Atividades:
1. Leitura Literária: Contos de Terror e outros contos para os 9º anos da Anos da E.E.E.F. Fernando Treptow
Local e hora: Rua Ernani Fornari, 221 - Fragata, Pelotas, 9 horas.
2. Leitura Literária na Sala de Leitura: O GELL recebe as crianças do 1º Ano da E.E.E.F. Dr. Brusque Filho, para a leitura de A Zeropéia.
Local e hora: Sala de Leitura, 15 horas;
3. Visita Guiada à Sala de Leitura.
Público: Primeiro Semestre da Licenciatura em Pedagogia da FaE/UFPel
Docente que promoveu: Heloísa Duval
Nesta visita, o GELL, representado pelas personagens Bruxa, Fada e Girafalda Bixófila, recebeu os estudantes e informou a respeito das atividades da sala na FaE, nas escolas, em espetáculos e na Formação Docente.
As micropolíticas desenvolvidas pela Sala de Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores. Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.
4. Ensaio Público do Espetáculo "No Manantial", de JSLN.
Local e horário: Museu do Doce (Casarão 8, Centro Histórico), 16 horas.
Créditos:
Sala de Leitura Erico Verissimo da FaE/UFPel.
Sala 04/Andar Térreo do ICH - Alberto Rosa, 154.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Critérios de escolha e de relevância de obras literárias


 Ao escolhermos uma obra a ser lida para nossas crianças em casa ou na escola, um grupo considerável de critérios precisam ser considerados, entre eles, autoria, gênero, ilustrador, quantidade e qualidade do texto, tema e até mesmo, questões agregadas que podem desencadear perguntas e indagações.
Critério significa "julgamento" e pode ser entendido como juízo, discernimento ou mesmo a opinião de uma pessoa. É uma condição subjetiva que possibilita optar, escolher e, por isso, por definir nossas escolhas, é considerado um juízo de valor.
Juízos de valor podem ser pessoais, mas não os empregamos apenas no âmbito pessoal. Se os utilizamos para julgamentos de questões que extrapolam nossas vidas provadas, devem ser considerados do ponto de vista do que implicam nas vidas dos demais.
Assim é com a escolha de um livro a ser lido para crianças, pois os adultos precisam saber defendê-lo, ou seja, evidenciar a relevância de tal obra na formação dos infantes da espécie[1]. No caso da escola, mais aprimorado ainda devem ser os critérios de escolha do que ler aos pequenos.
As escolhas pessoais (familiares, religiosas, éticas e morais) podem ser de qualquer tipo, pois implicam em uma dimensão individual em que, supostamente, apenas o sujeito e sua família será beneficiado ou prejudicado. As escolhas públicas – na escola e para processos educativos – implicam em uma dimensão para além do indivíduo, ou seja, envolvem os demais: os alunos de uma classe inteira e até a escola como um todo, não esquecendo que estas reverberam nas famílias dos meninos e meninas que frequentam a escola. Atingem desde a criança até a sociedade como um todo, uma vez que estamos todos conectados.
Assim, um juízo de valor externado em uma escolha literária implica em, necessariamente, considerar o impacto de nossas opiniões na vida dos demais em sociedade. Implica em, por isso mesmo, considerar o que os outros pensam a respeito do mesmo assunto.
Obra literária: o conceito
Uma obra literária, para ser considerada como tal, precisa ser, em primeiro lugar, representante da arte. A arte literária.
E o que é arte literária? É a arte da palavra, materializada pela expressão do pensamento do autor/autora. Para Graça Paulino, a arte literária é representada pelo contato – pacto – entre o autor e o leitor. Um pacto do qual se usufrui intensamente. Em suas palavras:

A leitura se diz literária quando a ação do leitor constitui predominantemente uma prática cultural de natureza artística, estabelecendo com o texto lido uma interação prazerosa. O gosto da leitura acompanha seu desenvolvimento, sem que outros objetivos sejam vivenciados como mais importantes, embora possam também existir. O pacto entre leitor e texto inclui, necessariamente, a dimensão imaginária, em que se destaca a linguagem como foco de atenção, pois através dela se inventam outros mundos, em que nascem seres diversos, com suas ações, pensamentos, emoções (PAULINO, 2014[2]).

Se a literatura é uma arte e há diferentes autores, obras, gêneros, como escolher o que é a melhor expressão da artesania humana para os pequenos em casa e na escola?
Os critérios clássicos para escolher uma obra literária infantil são a longevidade, a linguagem (expressão inusitada e/ou metafórica), a inesgotabilidade (diferenciadas e infindáveis leituras de uma mesma narrativa), o valor histórico e documental, a magia, o vínculo com a ancestralidade e a capacidade de “fazer pensar”.
Sim, pensar, pois arte literária não é apenas “alegria, alegria”. A arte literária infantil tem o compromisso, por arte, de unir o lúdico (jogo de deleitar-se) com o útil (jogo de posicionar-se). Como humanos, espécie que através da linguagem se representa, temos essa premência que é simbolizar. Nas palavras de Bagno (2014), a linguagem é uma faculdade cognitiva
“... exclusiva da espécie humana que permite a cada indivíduo representar e expressar simbolicamente sua experiência de vida, assim como adquirir, processar, produzir e transmitir conhecimento. Nós somos seres muito particulares, porque temos precisamente essa capacidade admirável de significar, isto é, de produzir sentido por meio de símbolos, sinais, signos, ícones etc. Nenhum gesto humano é neutro, ingênuo, vazio de sentido: muito pelo contrário, ele é sempre carregado de sentido, nos mais variados graus, e cabe justamente à nossa capacidade de linguagem interpretar o sentido implicado em cada manifestação dos outros membros da nossa espécie (BAGNO, 2014).

Textos literários infantis: bobices?
Brinquedos inventados por nós, adultos, através de um mecanismo incrível, o nosso cérebro e nossa imaginação, os textos literários têm destino: os nossos infantes. Criação pura, invencionice – bobices e gostosuras, como diz Fanny Abramovich – a arte destinada por nós, os maduros da espécie aos pequenos deve ser, ao mesmo tempo, doce e útil, pois a literatura tem o compromisso de encantar o leitor e, ao mesmo tempo, torná-lo mais culto, mais perspicaz, mais inteligente, mais curioso.
Lembre: uma obra literária não tem a tarefa de informar, embora possa fazer isso; não tem como compromisso educar, apesar de poder. A obra literária tem compromisso com a imaginação, a emoção, a estética. E um pensamentozinho, ora sim, ora também.
Escolhendo obras: uma aula sobre critérios e relevância de obras literárias.
Convidadas a escolher uma obra na estante da livraria, após um primeiro diálogo a respeito do espaço e as evidências ali encontradas a respeito do que o estabelecimento comercial considera infância e livros para a infância[2], minha alunas escolheram e defenderam suas escolhas. Ao fim da aula, um grupo considerável de razões que nos levariam a levar para casa ou à escola um livro. Vamos conhecer os critérios de escolha e de relevância surgidos dessa experiência?
Os argumentos escolhidos para justificar as escolhas de livros para a infância foram a apresentação de tema relevante ou emocionante, autoria conhecida, respeitada e/ou indicada por leitor experiente e a presença de exemplares em que autor e ilustrador são a mesma pessoa. Autores regionais também forma mencionados como importantes.
Ouro grupo de argumentos considerou o endereçamento ou a adequação para a idade dos ouvintes ou a presença de um tema que preciso conhecer.
A expressão estética apurada e o livro extrapolar, via linguagem, os conceitos de “livro para infância”, foi valorizado. A ilustração ou ilustrador conhecido foi levado em consideração e alguns escolheram livros que incluíam CD ou DVD.
Foram considerados como interessantes os gêneros poético e reconto e, quando a temática era relacionada à formação da leitora como música e história, foram evidenciadas.
Apresentar linguagem regional, livros para gostar de ler e se tornar leitor, possuir informações prévias, integrar uma coleção, possuir amplo léxico e ter glossário, foi valorizado na defesa das obras escolhidas. Ser a primeira edição ou uma nova edição que manteve o texto original, mas atualizou a ortografia foram elogiados. A presença de sumário, a quantidade e qualidade do texto, ter informações além do texto (paratextos) e conhecer quem organizou também foram ressaltados como importantes argumentos para escolher/ler uma obra.
Foram considerados relevantes livros que possuíam imagens em três dimensões, partituras e notações além da qualidade da capa. Ser colorido, ser um livro brinquedo, ter efeito Pop-up, ser um texto com ritmo, com continuidade e, ter valor acessível, foram mais alguns dos critérios/argumentos para a escolha dos títulos.
Dicas para a escolha de livros.
Ler antes de comprar. Sempre. É a dica mais importante;
Conheça o seu público ou para quem você vai ler. Isso ajuda a escolher um gênero, um título, um autor...
Autor: escolha um brasileiro respeitado, indicado por outros leitores, premiado, que as crianças gostam...
Gênero: narrativas, poesia, fábulas, lendas, cordel, história em quadrinhos, terror, biografias, abecedários, recontos...
Editora: Brasileiras que investem em formato, cor, durabilidade, evidência de autoria, qualidade do texto e da imagem, durabilidade do impresso, paratextos de qualidade...
Ouça quem indica: se um conhecedor indicou, se tu confias em quem leu, se há uma lista que a professora disponibilizou, ouça, considere, leve em conta, vá por eles. Quem lê adora indicar livros aos demais, mas não custa nada ler antes...
Valor: entre dois bons livros, escolha aquele que tem custo/benefício mais evidente. Exemplo: Um livro com 92 poemas é mais importante que um livro com apenas uma narrativa se os dois custam a mesma coisa ou tem preços similares;
Ilustração: um livro com um excelente ilustrador tem seu valor. Afinal, a arte literária pode ser acompanhada das artes plásticas...
Apaixonamento: confie em você. Ao apaixonar-se por um livro, indique, releia, faça circular.

Referências ou para saber mais...
BAGNO, Marcos. Linguagem. Glossário CEALE, 2014. Disponível em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/linguagem).
PAULINO, Graça. Leitura Literária. Glossário CEALE, 2014. Disponível em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/leitura-literaria
ROSA, Cristina. Critérios de escolha: um passinho de cada vez. Alfabeto à Parte, 26 de março de 2015. Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2015/03/criterios-de-escolha-um-passinho-de.html
NÓBREGA, Vitor Augusto. Surgimento das palavras: a explosão vocabular da espécie humana. Jornal da USP, 29/07/2016. Disponível em: http://jornal.usp.br/artigos/surgimento-das-palavras-a-explosao-vocabular-da-especie-humana/




[1] Nascido de pouco, bebê ou mesmo criança, o que caracteriza um infante é a necessidade de cuidados – proteção – sem os quais ele não sobrevive. Na espécie humana, além de cuidados básicos como alimentação, saúde e segurança, os infantes precisam aprender a se comunicar. A comunicação inclui falar, ouvir, ler e escrever, basicamente. Para Vitor Nóbrega, doutorando em Linguística na USP, “um dos caracteres que assinalam a complexidade da faculdade da linguagem é o domínio de um extenso vocabulário que se amplia cotidianamente”. Para ler mais sobre esse tema, clique em: http://jornal.usp.br/artigos/surgimento-das-palavras-a-explosao-vocabular-da-especie-humana/
[2] O estabelecimento comercial evidencia noções de infância que arquitetos, marceneiros, autores, editoras e mesmo comerciantes possuem. Para um determinado grupo societário, a infância pode ser apresentada e representada por um determinado espaço, um grupo de cores, certos projetos gráficos e editorias e linguagem específica.