sexta-feira, 16 de junho de 2017

Coisas de Mulher? Uma pesquisa...


Instigada por uma leitura que me foi apresentada recentemente e por uma expressão – coisas de mulher – que moveu Nadiéjda Krúpskaia a escrever um pequeno texto, decidi perguntar a meu grupo de contatos online o que são “coisas de mulher”.

Para Krúpskaia (1909-1910), “coisas de mulher” eram os trabalhos considerados “exclusivamente femininos”, como “costurar, cozinhar, lavar, cuidar de crianças”. Além disso, no artigo escrito no início do século XX, circunscreve os “pequenos cuidados” que se relacionavam com a “concretização de afazeres domésticos isolados” como “cozinhar o almoço, limpar a casa, remendar o uniforme, educar os filhos”, tarefas, que segundo seu modo de pensar, “merecem todo o respeito e de forma alguma, desprezo”.
Uma de suas críticas foi dirigia à imprensa que, de acordo com Nadiéjda, atribuía, exclusivamente à mulher, o trabalho doméstico. O argumento utilizado, então era de que o “lar” e a “vida familiar” era a “esfera” que melhor correspondia à “individualidade da mulher”. Assim, recomendava que a mulher deveria se preocupar em ser um “dona de casa exemplar”.
Para Krúpskaia (1909-1910), é evidente a hipocrisia contida nessa argumentação. Ela é enfática ao considerar que os homens “jamais se rebaixam a realizar o trabalho doméstico”, pois, “no fundo de sua alma”, consideram-no “coisa de seres menos evoluídos, possuidores de necessidades mais simplórias”.
Século XXI
Passados mais de 100 anos desse tempo em que Nadiéjda Krúpskaia denuncia, o que pensam mulheres e homens? O que seriam “coisas de mulher” em 2017? Se há “coisas de mulher” o que seriam estas “coisas” para quem é criança, jovem, estuda, trabalha, cria filhos e netos em plena “sociedade do desempenho” (HAN, 1959)?
Sem discriminação de gênero nem idade, enviei a pergunta a todo o meu grupo de contatos via WhatsApp. As respostas foram surpreendentes. A única ressalva na comunicação dos resultados foi indicar a opinião dos homens ao final.
Agradeço a todas as pessoas (familiares, amigos, alunas, colegas) que contribuíram. Com as palavras de todos vocês pude compor um mosaico muito interessante do que são “coisas de mulher”.
“Coisas de mulher”
Oscilando entre características culturais, comportamentais e biológicas e citando afazeres e trabalho em casa e na sociedade, as mulheres que responderam à pergunta refletiram a partir de si mesmas e do que observam a seu redor. Para elas, não há consenso na expressão “coisas de mulher” e um grupo considerável afirmou que não há essa distinção ou, ainda, que “não existem coisas específicas de mulher”, pois “a mulher pode tudo”. Algumas afirmaram que a expressão está em desuso, que não cabe mais em tempos com tantas demandas. 
 As respostas
“A única marca que carregamos em comum – todas nós mulheres – é a força interior que nos faz enfrentar toda e qualquer situação imposta pela vida”.
 “Absorventes, com certeza!”.
“Acho que a maternidade seja a única coisa que realmente ainda pode ser atribuída exclusivamente às mulheres”.
“Acho que envolve desde maquiagem a ciclo menstrual”.
“Acho que tem coisas que a mulher faz melhor. Mais delicada, com mais paciência”.
“Acredito que essa frase nos dias de hoje não exista mais. A mulherada está tão independente que coisas tipo shopping, cabeleireiro, manicure, são feitas por homens também, sem preconceito algum! Não existe mais isso de "coisas de mulher”, “coisas de homem”.
“Acredito que seriam certas roupas, maquiagem, mas têm coisas de mulher que homens usam e não vejo problema nisso!”.
“Acredito que tenha muito a ver com o tipo da mulher. Para algumas, pode ser um batom, unhas e cabelos bem arrumados. Para outras, uma tarde reunida com as amigas para bater um papinho gostoso, dar risadas e até chorar. Mas, no fundo, acredito ser um pouco de tudo isso”.
“Adoro essas perguntas! São coisas que mulheres fazem, gostam, usam de modo geral. O que elas quiserem!”.
 “Amorosidade no olhar, capacidade de colocar o outro no mesmo grau de importância de si mesmo e batom!”.
“Antigamente a carreira artística não era coisa para mulheres. Havia imenso preconceito e as mesmas eram tratadas como prostitutas. Hoje, as mulheres tem ampla aceitação e destaque e os homens tem liberdade de criação artística, desempenhando papéis de mulheres com naturalidade”.
“Aquelas com toques delicados, feitos com amor, suaves e apaixonantes, sem ter algo determinado ou listado do que é ou não é, mas tudo aquilo que a mulher toca deixa sua marca”.                   
“Batons, esmaltes, depilações, cólicas, sabedoria, paciência, coragem e muito mais...”.
“Boa pergunta. Ontem eu estava vendo novela. Nela, a personagem da atriz Maria Cândida dizendo que o neto ia jogar futebol, andar de skate... A outra atriz, que faz o papel de Ivana, perguntou: E se ele quiser brincar de boneca? – Não, isso é coisa de menina, ela respondeu. Eu, aqui em casa, vivo isso. Minha sogra tem 66 anos e acha que nós, mulheres, temos obrigação de cozinhar, lavar, passar, arrumar a casa. Se pedir algo para meu namorido, escuto: Isso é a tarefa da mulher...”.
“Cabe a uma mulher aquilo que ela decidiu seguir”.
“Coisas de mulher... Em se tratando de coisas materiais, tudo que uma mulher julgar que pertença ou que lhe pertença”.
“Coisas de mulher... Tudo é coisa de mulher. A gente é responsável por tanta coisa - inclusive pelo que não devia ser: a sociedade impõe "coisas de mulheres". O que são mulheres? Coisa de mulher é nascer, é crescer, é aprender, é desenvolver, é viver. E é cuidar, educar, pensar, se preocupar. Coisa de mulher é lutar, é conquistar espaço, é estudar, é aguentar, é "se virar". “Coisa de mulher” são vários verbos, porém, também são vários sentimentos. É alegria, sabedoria, força. É amor. Também é preocupação. Às vezes, também, é medo. E é resistência. Coisa de mulher é resistência”.
“Como definir quando as mulheres desempenham tantos papéis e se utilizam de tantas coisas? Vi minha mãe dirigir um fusca e fazê-lo de Topic, levando minhas amigas e eu para escola. Vi minha tia arar a terra e ordenhar vacas, fazendo desses afazeres seu sustento. Vi minha irmã pegar seu aluno no colo, ofertar a ele acalanto e segurança. Vi minha amiga posar para fotos com suas botas e bolsas, fazendo marketing de sua loja. Por fim, me vi empurrando o carrinho de minha filha e mostrando a cidade para ela. As coisas de mulher são atitudes. Sentimentos feitos, ação de quem batalha, trabalha, acolhe, se vira e ensina. Ama, encara, deixa pra lá e corre atrás. Cada cabeça uma sentença, cada mulher um arsenal de coisas que coleciona para ajudar a ser a melhor versão de si e desempenhar a função que desejar exercer”.
“Cuidar da casa, marido, filhos, trabalhar”.
“Dar à luz, parir, ter contigo a vida! A melhor coisa do mundo! Ou, como dizia Guimarães Rosa, “um menino nasceu, o mundo tornou a começar". Então, o melhor de ser mulher é tornar à potência de tornar a começar”.
“Depende do que se refere a “coisas”. Se objetos, diria que absorvente pode ser dito como objeto exclusivo de mulher e me refiro ao comum, não o interno, pois este pode ser utilizado por homem se ele assim entender usar. Se for em sentido anatômico, o útero e a geração de um filho é próprio de mulher, por enquanto. E no geral, nada mais pode ser dito que é “coisa de mulher”. Tudo é passivo para os dois gêneros. Respondi?”.
“Difícil dizer o que são coisas de mulher. Vou refletir um pouco sobre...”.
“É qualquer coisa que ela queira, mas sempre envolvida por delicadeza e sensibilidade”.
“É tudo que ela deseja, quando essa mulher tem uma formação familiar e intelectual. Devo citar?”.
“É tudo que tem de bom no mundo!”.
“É um rótulo que a sociedade colocou para diferenciar dos homens. Para sustentar o machismo”.
“É uma definição taxativa daquilo que somente serve para mulher e não serve para o homem, isto é, objetos femininos, mas com carga negativa de superficial: conversas entre amigas pejorativamente apontadas como fúteis. Não sei se nos últimos tempos tenho visto essas definições um pouco com amargura, mas me parece que o mundo tem apontado para essa direção, ao menos, e delimitando, o meu mundo”.
“É uma expressão de machismo. Quando os homens querem justificar determinadas atitudes femininas que eles não compreendem – ir ao banheiro com outras mulheres, por exemplo – as definem como gestos típicos e exclusivos ao mundo feminino”.
“Em se tratando de coisas materiais, tudo que uma mulher julgar que pertença ou que lhe pertença. Pelo lado fisiológico e emocional, sorrir e abraçar a todos como se nada tivesse acontecido, depois de brigar com Deus e o mundo, durante uma TPM. Somente a mulher para agir desta forma, um homem jamais entenderá (e sentirá) o que é isso.
“Entendo que são assuntos e atitudes de interesse do sexo/gênero feminino, como, por exemplo, maquiagem. No geral, mulheres, gays, transgêneros e afins que tem interesse por usar ou pesquisar sobre o assunto”.
“Estávamos falando agora mesmo sobre isto, que meninos, desde pequenos, ganham brinquedos que estimulam a ter uma profissão. A menina é cuidar da boneca, panelinha, ferro, tudo para ser dona de casa”.
“Estou viajando com minha mãe e ela respondeu que “coisas de mulher” é TPM! Eu acho que coisas de mulher é o olhar de ternura que temos sobre tudo...”.
“Êta perguntinha complexa! Penso que é tudo que uma mulher puder fazer sozinha para alcançar o que quer, independente do espaço em que estiver. Eu me nego discutir o que uma mulher pode ou não! Porque cada uma pode coisas diferentes e em muitas coisas homens e mulheres se complementam, ao invés de serem concorrentes...”.
“Eu não sei te dizer em uma única frase o que são “coisas de mulher”.
“Eu, como mulher, digo que é o conjunto de objetos, comportamentos e modos de pensar que fazem parte da nossa personalidade. Embora hoje esse universo não seja mais restrito ao que a sociedade entendia como feminino, já que hoje tudo pode ser coisa de mulher, desde panelas à bola de futebol ou chorar vendo uma novela e praticar uma arte marcial”.
“Fiz a pergunta para minha filha, de dez anos e ela disse que não há coisas de meninas ou meninos, o que importa é o que a pessoa gosta de fazer. Meninas podem querer brincar de futebol e meninos de boneca”.
“Me dá um tempo...”.
“Muitas vezes, duas ou mais mulheres conversam sobre gravidez, menstruação e segredinhos. Vem um xereta e pergunta qual o assunto. Elas, sendo tímidas ou reservadas, para despistar, respondem: Coisas de Mulher!”.
“Mulher é muito detalhista naquilo que faz, às vezes busca a perfeição e, ao dar seu toque feminino, se diz: isso é coisa de mulher!”.
“Mulher Maravilha. Se eu pudesse girar a cintura de 58 cm de Lynda Carter... Mulheres queimaram o sutiã, o que não foi uma má ideia, afinal, é mais uma prisão que aperta e dói! Lógico que havia muito mais sobre misoginia do pequeno recorte que farei naquele grande protesto. No entanto, viramos escravas com M maiúsculo, chegam a ser quatro jornadas diárias, além das várias faces que temos que assumir, trabalhar fora, cuidar da casa, estudar, dar atenção de qualidade aos filhos e ao marido. Ser competente profissional, exímia dona de casa, mãe exemplar, companheira, amante, esposa. Sem falar nos cuidados estéticos, unhas bem feitas, cabelos arrumados e maquiagem. Escravas da sociedade, do botox e de inúmeros procedimentos estéticos na tentativa de disfarçar a alma que envelhece triste enquanto corremos atrás de tudo ao mesmo tempo o tempo todo... quer saber? Devolve meu sutiã!”.
“Mulheres amam os filhos, gostam de jantar em um bom restaurante, regado a bom vinho. Gostam de ir ao banheiro juntas, de ir ao shopping fazer compras. Principalmente, comprar sapatos. Gostam de batom, cílios grandes, enfim, de serem elegantes. E de outra infinidade de coisas. Afinal, somos lindas, de um jeito ou de outro. Não achas?”.
 “Na infância, brinquedos panela, fogão, boneca. Tarefas ensinadas pelas mães como cozinhar, limpar a casa, bordar, fazer tricô, crochê”. Com o avanço das tecnologias, essas “coisas de mulher” foram sendo desmistificadas. Com a inclusão social advinda das ações afirmativas e a divulgação dos esportes, como fator não só de competição, as mulheres passaram a se envolver no universo masculino, sendo jogadores de futebol, vôlei, basquete, pilotos de carro, lutadoras...”
“Não existem coisas específicas de mulher, pois a mulher pode tudo. Mas, o mais importante e exclusivo que é da mulher, é o poder de gerar a vida!”.
“Objetos, acessórios e atitudes que a sociedade impõe e que só mulheres fazem”.
 “Os apetrechos que nos deixam preparadas e confiantes todos os dias?”.
“Outro lugar que mulheres ocupam com destaque é o setor das comunicações, das redes de computadores, encontrando-se mulheres "nerds"...
“Para mim, é tudo aquilo que me deixa feliz. Exemplo: eu gosto de tênis esportivo masculino, para mim, isso é “coisa de mulher”.
“Para mim, não existe coisa "de mulher" e nem "de homem". Tudo é de todos sem designações de cores ou tarefas... ”.
“Para mim, não existem coisas de mulher. Tudo é para quem quiser. Costumam dizer que é coisa de mulher desde as tarefas domésticas, cuidar dos filhos, até chorar ou usar rosa. Aquilo que para a sociedade não tem importância ou que traz "fragilidade e feminilidade". Para mim, se fosse pra ser dito o que é coisa de mulher, eu diria que é ser forte, ser guerreira, ser corajosa. É enfrentar todos os dias uma sociedade que só nos diminui. Ser mulher é lutar todos os dias pelo nosso espaço no mundo”.
“Pelo lado fisiológico e emocional, sorrir e abraçar a todos como se nada tivesse acontecido, depois de brigar com Deus e o mundo, durante uma TPM. Somente a mulher para agir desta forma, um homem jamais entenderá (e sentirá) o que é isso”.
“Penso que não existe "coisa de mulher", pois nós conseguimos nos encaixar e desdobrar para tudo! Talvez não tenhamos a prática dominada de algo, mas damos um jeitinho de logo conquistar”.
“Penso que uma das características das mulheres é a palavra. As mulheres têm esse dom de comunicação exacerbado. E é um poder e tanto, diga-se de passagem. Resultado disso são as conversas femininas, seja para falar sobre moda, tempo, romances, desafetos, filhos...”.
“Pode ser algo com conotação depreciativa ao se referir às obrigações que foram estrategicamente imputadas às mulheres, como cuidar da casa, dos filhos, marido, entre outras. Além das necessidades emocionais não satisfeitas que, às vezes, acabam sendo vistas como "chiliques" ou "coisas de mulher"! Essa foi uma das várias respostas que eu posso te dar!”.
“Pode ser o que tem dentro de sua bolsa, mas, em geral, é aquilo que cabe a uma mulher de acordo com o que ela é”.
“Podem ser doces ou amargas, delicadas ou pesadas, cor-de-rosa ou azuis”.
“São aquelas que nós conquistamos, pois queremos e sonhamos, e, acima de tudo, temos capacidade para isso, pois os obstáculos impostos por uma sociedade só podem ser vencidos se quisermos e lutarmos para conquistar espaço e desconstruir algumas ideias enraizadas”.
“São as coisas que a mulher escolhe ter/fazer/conquistar. Seja no emprego, na roupa, na casa, nas relações, em tudo”.
“São atividades e comportamentos atribuídos socialmente e culturalmente para o universo feminino. Estas atividades rotuladas ‘femininas’, geralmente são conceituadas como frágeis ou fúteis”.
“São meras construções sociais e culturais. Referem-se às expectativas que uma determinada sociedade, em um dado tempo histórico/social e cultural, estabelece para pessoas que nascem com a genitália ‘feminina’".
“São tantas coisas que tive que pensar: Fazer as compras da feira, ir ao médico levar filho...”.
“São tantas coisas. Podem ser coisas de homem também, porque não? É também é muito pessoal, particular de cada uma. Têm mulheres que adoram estar sempre maquiadas, já outras não; há mulheres que adoram futebol, que pensam em ter várias maquiagens, sapatos, bolsas, vestidos ao mesmo tempo que pensam em carros, jogar bola, beber cerveja com as amigas... Isto é só uma parte de coisas de mulher, que pode ser muitas coisas”.
“Segredos! Magia! Força! Vigor! Talvez sejam características. E objetos seriam echarpes, chapéus, luvas, brincos, sapatos, cremes, batons, esmaltes, bicicleta, carro...”.
“Sempre difícil de responder, porque hoje não há mais essa divisão: coisas a fazer são igualmente divididas (em tese), coisas de sentir (conheço muitos homens tão sensíveis quanto, ou até mais)”.
“Ser capaz de coordenar e fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Isso reflete exatamente meu momento...”.
“Ser mãe, amamentar, maquiagem, ter menos força física, gerar um ser, conseguir realizar múltiplas tarefas”.
“Sexto sentido, sensibilidade aflorada”.
“Têm a ver com liberdade, pois as mulheres são o que quiserem ser”.
“Tem relação direta com o cuidar mais criterioso. Com o florir e perfumar o dia. Dar todo o frescor necessário a vida”.
“Todas as coisas do mundo. Deste e de outros, também...”.
“Tudo o que a mulher quiser indiscriminadamente”.
“Tudo que faz a mulher feliz! Por exemplo, eu amo futebol...”.
 “Tudo que uma pessoa é capaz de fazer.  A mulher passa a impressão de fragilidade, mas somos guerreiras, com um toque de suavidade”.
“Um jeito especial de ser e de fazer”.
“Uma das primeiras profissões admitidas para as mulheres era o magistério e a enfermagem. Mas isso há muito caiu e temos mulheres em diversos campos, inclusive na aviação, salvo aquelas consideradas perigosas ou insalubres”.
“Vou tentar, não é fácil. Acredito que é um padrão de comportamento que desde menina é imposto pela sociedade. Estou me referindo à forte competição entre as mulheres. Nós nos vemos como competidoras e não como aliadas. E é apenas na vida adulta que nós percebemos que isso não é verdade”.

E os homens?
O que são “coisas de mulher” para os homens que responderam à pesquisa? No universo perguntado, um grupo considerável de homens. Nem todos, no entanto, responderam. Os quatorze aventureiros encontram-se aqui. De quinze a 68 anos, não se furtaram a dar suas opiniões: “Aprendi essa resposta esta semana. A resposta é: o que ela quiser que seja!”.
“Batons, esmaltes, depilações, cólicas, sabedoria, paciência, coragem e muito mais...”.
“Creio não ser a pessoa mais indicada, mas diria que tudo pode ser "coisa de mulher". É uma convenção cultural de tudo que foi atribuído, significado como tal. Então, tudo pode ser "coisa de mulher".
“Depois te respondo, está bem?”
“Eu acho que coisa de mulher é só menstruação, perdão pela palavra. O resto pode ser feito por homem e mulher. Não tem descriminação”.
“Firulas. Brincadeira. Coisa de mulher é tudo que elas quiserem, afinal elas dominam o mundo, coisa de mulher é espaço de desejo, de carinho, de mudança de alteridade”.
“Não sei, afinal, coisas não têm gênero”.
“Pergunta difícil essa”.
“Pergunta difícil!”.
“Pergunta difícil. Diria que coisas de mulheres são as relativas ao corpo feminino, que são determinadas pela biologia...”.
“São as coisas que tem a ver com a "sensibilidade aplicada", ligadas aos sentidos e as emoções mais simples”.
“São todas as atividades para as quais a mulher tenha interesse, sem nichos exclusivos para a masculinidade”.
“Tens de pedir à elas, eu só sei o que é “coisas de homens”...
A revolução das Mulheres
Com tradução de Priscila Marques, o texto Deve-se ensinar “coisas de mulher” aos meninos? foi elaborado por Nadiéjda Krúskaia no iníco do século XX. Ela pretendia sensibilizar os dirigentes dos novos tempos para a necessidade de uma sociedade que libertasse igualmente mulheres e homens. Seu texto, muito instigante, integra a obra A revolução das Mulheres, organizado por Graziela Schneider e publicada pela Boitempo (2017).
Na quarta capa, em texto assinado por Wendy Goldman, o leitor é convidado a se defrontar com uma antologia de artigos, ensaios, atas e panfletos “provocativos” escritos por “radicais pensadoras” e “ativistas” no início do século XX. O intuito é provocar insights próprios.
Ao realizar a pesquisa, de modo informal e em apenas três dias, colhi muitos insights. Pretendo, ao partilhar os resultados, ser fiel aos depoentes e dar voz a quem nunca, de vez em quando ou sempre, pensa em “coisas de mulheres”.
Mulher: identidade relacional e histórica?
Observando um dos escritos de Deepika Bahri intitulado Feminismo e/no Pós-Colonialismo (Estudos Feministas, Florianópolis, 2013), no qual a pesquisadora discorre sobre a relação entre feminismo e pós-colonialismo a partir de conceitos-chave, percebo que a ninguém cabe “falar” e mesmo “escutar” pelo outro.
No artigo a autora evidencia as principais categorias conceituais – representação, mulher do primeiro mundo, essencialismo e identidade – encontradas em debates e discussões nas perspectivas feministas dentro dos estudos literários pós-coloniais e revela, ao observar esses conceitos na obra de várias pensadoras, o “esforço dos estudos feministas pós-coloniais para estabelecerem a identidade como relacional e histórica em vez de essencial ou fixa, enquanto mantêm o gênero como uma categoria significativa de análise.
Declaro que não há, neste pequeno exercício de opinião, nenhuma intenção de “falar” pelo outro, “representar” o outro. Penso que, “inerentemente interdisciplinar”, o feminismo observa, estuda, “examina os relacionamentos entre homens e mulheres” além das “consequências dos diferenciais de poder para a situação econômica, social e cultural das mulheres (e dos homens) em diferentes lugares e períodos da história” (BAHRI, 2013) Desse modo, este ensaio não é um estudo e, sim, uma voz. Melhor, é um exercício de escuta de muitas vozes.
Textos citados:
BAHRI, Deepika. Feminismo e/no Pós-Colonialismo. Revista Estudos Feministas, Nº 21(2): 659-688, maio-agosto/2013. Florianópolis, SC, 2013. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2013000200018
HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. In: GIANOTTI, Carlos Alberto. O cansaço das demandas. ZH PROA, 17 E 18 DE JUNHO DE 2017.

KRÚSKAIA, Nadiéjda. Deve-se ensinar “coisas de mulher” aos meninos? In: SCHNEIDER, Graziela. A revolução das Mulheres. São Paulo: Boitempo, 2017.







Semana do gostar de ler

A Sala de Leitura Erico Verissimo (FaE/UFPel) localizada no Andar Térreo do ICH, está desenvolvendo uma série de eventos em junho.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes, a sala tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.
Na semana entre 19 e 23, haverá, todos os dias, um pequeno evento: é a semana do gostar de lerAcompanhe a agenda do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária – e participe. Os eventos são abertos e gratuitos.

Semana do gostar de ler.

19/06 – Publicação no Blog da Sala de leitura Erico Verissimo dos resultados da pesquisa O que são “coisas de mulher”? A investigação e seus resultados integra a formação das estudantes de Pedagogia e se insere na micropolítica Leituras para Meninas, desencadeada em 08 de março de 2017;

20/06 – Aula pública de Literatura Infantil. Tema: A invenção da literatura infantil no RS: João Simões Lopes Neto e Erico Verissimo.

Local e hora: Sala 103, Térreo do ICH/UFPel (9-11 horas):

21/06 – Estudo da obra A Zeropéia, de Herbert de Souza. Obra considerada um marco da “literatura infantil para pensar”, o estudo visa aprender a apresentar A Zeropéia às crianças entre dois e 11 anos.
Ministrante: Drª Cristina Maria Rosa
Local e hora: Biblioteca da E.E.E.F. Fernando Treptow (9-11 horas);

22/06 – Leitura para crianças: o GELL visita a Escola Municipal de Educação Infantil João Guimarães Rosa. 

Local e hora: Avenida Herbert Hadler, 1310 - Fragata, 9-11 horas;

23/06 – Leitura Literária na Sala de Leitura: O GELL recebe as crianças do CRAS Vida Ativa – Centro de Referência de Assistência Social.
Local e hora: Sala de Leitura, 9-11 horas.

A sala de leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores.
Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.
Pesquisas indicam que a totalidade das crianças que chegam à escola pública precisam ser alfabetizadas literariamente (ROSA, 2015), uma vez que parte considerável das famílias das quais são oriundas, leem pouco ou quase nada. Resultados de pesquisas recentes indicam que o acesso à leitura literária e o consequente conhecimento de obras, gêneros, ritos e benesses das práticas, ocorre primordialmente na escola e deve ser considerado como um dos saberes na formação de leitores. Sem essa “apresentação”, a leitura tem vida curta nos poucos anos de escolaridade a que são submetidos os filhos das classes populares e cabe ao docente – ao professor dos anos iniciais, especialmente do primeiro ao quinto – ser capaz de tornar o experimento com os primeiros livros e a variedade de gêneros, uma experiência na vida dos pequenos.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Gêneros literários: um trabalho da Sala de Leitura Erico Verissimo

Será na Universidade Federal do Rio Grande – FURG – a 16ª Mostra da Produção Universitária – MPU, entre 04 a 06 de outubro de 2017
Um dos trabalhos que foram aprovados para apresentação oral é intitulado: “QUAIS OS GÊNEROS LITERÁRIOS NA LITERATURA DO PNAIC?” elaborado pela estudante de Pedagogia e bolsista PET Educação Érica Machado Leopoldo.
Orientado pela Drª Cristina Maria Rosa e tendo como palavras-chave: Gêneros literários; Literatura Infantojuvenil e PNAIC, o trabalho investe na categorização, em gêneros literários, de um grupo de obras (60% do total) inseridas nas caixas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. A pesquisa surgiu do contato com os livros que foram enviados às escolas e objetivo da investigação é descrever e analisar a variedade e qualidade textual, temática e gráfica dos livros possuidores do selo “Para o uso nas salas de aula do 1º ao 3º ano”.
O primeiro procedimento metodológico foi a delimitação do acervo: 45 das 75 obras disponíveis foram analisadas. A seguir, um grupo de categorias foram selecionadas para  a análise: variedade e qualidade textual, temática e gráfica da amostra.
Após uma leitura exploratória do acervo, nova leitura, mais criteriosa foi realizada com o fim de organizá-lo em gêneros literários. As demais características de cada uma das obras vêm sendo consideradas e integram um quadro demonstrativo e comparativo dos dados.
O PNAIC e a Literatura
As obras adquiridas pelo MEC para o PNAIC obedeceram a um Edital em que há previsão de uma triagem para garantir a adequação da obra aos gêneros literários previstos. De acordo com Paiva e Cosson (2014, p. 487-488), no entanto, “qualquer estudante de Letras percebe que a classificação dos gêneros adotada pelo MEC é inadequada, pois mistura elementos de ordem diversa em categorizações superpostas”
Ao iniciar a leitura das obras foi possível perceber que há variedade de gêneros no acervo que integra as caixas do PNAIC. Na amostra observada – 45 títulos ou 60% das obras do acervo literário PNAIC 2013 – há 26 textos pertencentes ao Gênero Narrativo (57,8%), 16 ao Gênero Poético (35,6%) e três “Livros de Imagem”, correspondendo a 6,7% do total. Como características marcantes, hibridismo (ROSA, 2016) e paradidatismo.
As conclusões iniciais indicam que parte significativa do acervo (quase 60%) possui obras em linguagem narrativa, embora o Gênero Poético – representado por poemas, haicais, quadras, parlendas, cantigas, trava-línguas e adivinhas – também esteja bem representado, uma vez que se encontram em 35.6% da amostra estudada.
Variedade?
Ao observar a amostra de livros, percebeu-se fragilidade em relação à variedade de gêneros. Entre os 45 livros estudados, não se encontram obras do folclore como lendas e mitos, não há abecedários, apólogos, fábulas, contos, crônica e nem novelas. Também não foram encontrados gibis, livros em quadrinhos e nem travalínguas. Outro gênero que não aparece é o dramático, considerado bastante importante. Além disto, há obras que estão no acervo literário que não se enquadram conceito de obra literária.
As referências
Um grupo de autores ajudou a definir os temas, abordagens, categorias e metodologia empregada no estudo. Eles são:
BICALHO, D. Leitura. Glossário CEALE. Belo Horizonte: UFMG/CEALE, 2014.
BRASIL. MEC. Secretaria de Educação Básica. Acervos complementares: alfabetização e letramento nas diferentes áreas do conhecimento / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. -- Brasília: A Secretaria, 2012. Acessado em 29 mai. 2016. Online. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/
CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: Vários Escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
MANGUEL, A. Uma história da leitura. São Paulo: Cia das Letras, 1997.
PAIVA, A. Critérios de escolha de obras para o PNAIC. Aparecida Paiva: inédito, Pelotas, 2016. Entrevista online concedida a Cristina Maria Rosa em 20/07/2016.
PAIVA, A. e COSSON, R. O PNBE, a literatura e o endereçamento escolar. In: Remate de Males. 34.2 Campinas-SP, (34.2): pp. 477- 499, Jul./Dez. 2014.
PAULINO, G. Leitura literária. Glossário CEALE. Belo Horizonte: UFMG/CEALE, 2014.
ROSA, C. Gêneros literários: o hibridismo. Blog Alfabeto à Parte. Acessado em 21 jul. 2016. Online Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2016/07/generos-literarios-o-hibridismo.html
ROSA, C. O que é poesia? Blog Alfabeto à Parte. Acessado em 11 jul. 2016. Online Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2016/07/o-que-e-poesia.html
ROSA, C. Paradidáticos: isso é literatura? Blog Alfabeto à Parte. Acessado em 11 jul. 2016. Online Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2016/07/paradidaticos-isso-e-literatura.html
SILVA, E. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia de leitura. São Paulo: Cortez, 2002.
SOUZA, R., SILVA, K. e ARIOSI C. A leitura e a função da literatura no PNAIC: para além do deleite. Educação em Revista, Marília, v.17, p. 63-80, 2016, Edição Especial.
TODOROV, T. A Literatura em Perigo. Rio de Janeiro: Difel, 2012.
ZILBERMAN, R. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 2003.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Luís Dill e Qorpo Santo

Após a leitura prévia da obra Qorpo Santo: Diabos e Fúrias, ocorrida em maio de 2017, do encontro de estudos entre os jovens da Escola de Ensino Médio Eraldo Giacobbe, com as mediadoras literárias Érica Machado Leopoldo e Beatriz Helena da Rosa Pereira, no dia 07 de junho na Sala de Leitura Erico Verissimo, chegou o dia de encontrar Luís Dill, o escritor. O “Diálogo com o Autor” aconteceu na sexta-feira, dia nove de junho, entre as 17 e as 20 horas na elegante livraria Vanguarda Técnicos.
O romance
Escrita por autor gaúcho – Luís Dill – a obra Qorpo Santo: Diabos e Fúrias é um romance que apresenta ao leitor em processo fragmentos interessantes da vida e obra de um dramaturgo gaúcho morto há 130 anos. Nomeado como precursor do “teatro do absurdo”, o escritor gaúcho que viveu entre 1829 e 1883, de acordo com Luís Dill, ainda merece muitos outros olhares e o dele, foi registrado em seu livro. A ausência do dramaturgo, poeta e escritor no calendário cultural sinaliza que este gaúcho de Triunfo ainda é – para não perder o jogo de palavras – um corpo estranho na literatura brasileira.
O mote para a escrita de Dill – um romance – foi a encenação, em 26 de agosto de 1966, de três peças de Qorpo-Santo em Porto Alegre. A histórica noite marcou a redescoberta do dramaturgo gaúcho, 100 anos depois que ele escreveu tais textos. Qorpo-Santo diabos e fúrias foi escrito com base naquela referida noite e com base na vida e na obra do dramaturgo. O livro apresenta uma estrutura diferenciada, com depoimentos de gente das letras e dos palcos, incluindo-se aí dois protagonistas da histórica noite: o diretor e o compositor da música de cena.
Quem foi Qorpo Santo?
José Joaquim de Campos Leão é um personagem real. Redescoberto por Aníbal Damasceno Ferreira por volta de 1950, o grande achado foi um volume com 17 peças que representa, até hoje, a parte mais conhecida da produção de Qorpo Santo, de acordo com Prikladnichi (ZH, 16/11/2013).
A primeira montagem de três de suas peças ocorreu em 1966: um sucesso de público e de crítica. A segunda encenação foi no Rio de Janeiro, em 1968. A partir disso, Qorpo Santo recebeu o título de precursor do teatro do absurdo, tornando “parcialmente obsoletos todos os livros de história da dramaturgia brasileira".
Diálogo com Luís Dill
No diálogo com o autor de Qorpo Santo: Diabos e Fúrias (Artes & Ofícios, 2017), o público pode conhecer detalhes de seu processo criativo, no qual recortes de jornais, pesquisa em arquivos e entrevistas com pessoas que de algum modo ocuparam-se do tema foram explicitadas. O grupo que ouviu Dill ficou encantado com a diversidade, qualidade e profundidade da pesquisa empreendida pelo autor porto-alegrense, que guarda em seu escritório, envelopes com material para cada um dos livros que escreveu ou pretende escrever.
Jornalista, premiado escritor gaúcho, Luís Dill é autor de mais de 50 livros para jovens e adultos. Um deles, porém, é para a infância: Arca de Haicais. Nele, uma arca - como e de Noé - apresentada através do formato Haicai, poema de origem japonesa que chegou ao Braisl nos anos 20 de século passado.
A Sala de Leitura e o Curso ofertado
O curso, que foi ofertado em quatro momentos (Inscrição online com limite de 50 vagas e gratuito; Leitura prévia; Estudos com mediadores e; Diálogo com o autor) teve 48 inscritos. Ocorreu na FaE e na Livraria Vanguarda. Após o encontro com Dill, novas ideias surgiram. Fique atento, em breve, elas estarão por aqui.
Para saber mais
Quer saber mais sobre Qorpo Santo? Leia o livro Qorpo Santo Diabos e Fúrias, de Luís Dill (Artes e Ofícios, 2017) ou clique em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2013/11/morto-ha-130-anos-o-escritor-qorpo-santo-continua-sendo-um-nome-a-ser-descoberto-4335955.html




sexta-feira, 9 de junho de 2017

Exposição de Arte de Leitura de Quintal ao Lado

A Sala de Leitura Erico Verissimo recebeu no dia de hoje, 08 de junho, a autora – Cristina Maria Rosa – e a ilustradora – Helena Xavier – o Livro Digital Quintal ao Lado. O objetivo foi dar a conhecer o processo de criação da obra, desde os primórdios até sua finalização. Esse processo teve como pontos crucias a escrita do conto, a composição de cinco ilustrações a partir da leitura dele, a criação de um projeto digital, a elaboração de uma ficha catalográfica, o compartilhamento do resultado via web e a impressão de um exemplar para leitura.
Com uma exposição dos originais que serviram de fonte para as ilustrações do livro e a leitura literária feita pela autora da obra, foi inaugurada mais uma das micropolíticas de leitura da Sala de Leitura Erico Verissimo: o compartilhamento de produtos literários de a audição de escritos.
Presente nesse importante dia, a Diretora em exercício da FaE, professora Mirela Meira. Em suas palavras, Mirela parabenizou a iniciativa e incentivou os estudantes presentes a se incorporarem a projetos em que a arte tem protagonismo.
Entre o grupo de presentes, integrantes do PET Educação, monitores e voluntários da Sala de Leitura, estudantes de Literatura Infantil e a Diretoria do DACE – Diretório Acadêmico da Pedagogia – recentemente eleita e empossada.
A sala de leitura
Criada para promover a leitura literária no espaço acadêmico, a Sala de Leitura Erico Verissimo foi e tem sido responsável por propor e desenvolver micropolíticas de leitura. Entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres – como o Mediadores em Leitura Literária –, Saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes não convencionais como o corredor em frente à sala que se localiza no térreo do ICH.
Inaugurada em 17/12/2015, a sala funciona com a supervisão da Drª Cristina Maria Rosa (FaE/UFPel) e com o trabalho de estudantes (bolsistas PET e voluntários) da Licenciatura em Pedagogia. A cada semestre, oferece uma grade de horários em que pode ser visitada/usada, priorizando os momentos livres dos estudantes, como o intervalo entre turnos, por exemplo.
Para conhecer a sala e participar de suas atividades, fique atento ao BLOG do PET Educação e à página da UFpel. A programação é sempre atualizada e comunicada com antecedência. Gratuitas, todas as atividades são certificadas.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Qorpo Santo na Sala de Leitura: 07 de junho

Com sala lotada por jovens que estudam no segundo ano do Ensino Médio da Escola Eraldo Giacobe, teve início hoje, dia 07 de junho, às 9 horas da manhã, o Curso Qorpo Santo Diabos e Fúrias.
Promovido pela Sala de Leitura Erico Verissimo e com o apoio do PET Educação, o curso foi mediado pela Mestre em Literatura Beatriz Helena da Rosa Pereira e pela Licenciada em Filosofia e Graduanda em Pedagogia Érica Machado Leopoldo.
O foco do curso foi a obra Qorpo Santo Diabos e Fúrias, de Luís Dill. Na abertura, as palavras da Coordenadora da Pedagogia, professora Valdelaine da Rosa Mendes que ressaltou a importância de eventos na formação de professores. A Diretora em exercíco da FaE, professora Mirela Meira, saudou os jovens e acrescentou que a arte é fundante do mais belo em cada um  de nós e é o que nos agrega e nos humaniza.
O curso terá como segundo tempo um diálogo com o autor que, no dia 09 de junho, a partir das 17 horas, se fará presente na Livraria Vanguarda Técnicos.
Sinopse: São cinco os jovens integrantes do grupo M.O.R.T.E: Olívia, Enrique, Raian, Melissa e Ticiane. Eles têm como objetivo ensaiar a peça A caseira, criação do grupo, para apresentação no Teatro Armando Albuquerque, na escola que estudam. Pela controversa temática e diante de críticas de alguns professores, o grupo decide conhecer e ensaiar a peça As relações naturais, de Qorpo Santo, tão polêmica quanto a construída pelo grupo. Jovens estudantes que vivem em um período recente da história brasileira – 2013, o ano das manifestações intensas nas ruas – expressam opiniões diferente sobre questões políticas e morais. Com seus “pensamentos questionadores” e sentindo o peso do movimento de mudança em suas vidas sociais e como indivíduos, conseguem manter um convívio harmonioso durante os “ensaios”.
Ao “comparar” o tempo em que vivem com a Porto Alegre de Qorpo Santo – um gênio e/ou doido que escreveu incessantemente não foi compreendido pelos seus, sendo internado muitas vezes em hospícios –, os jovens amadurecem e oferecem paralelos entre 2013 e 1866.Se ainda hoje a genialidade e a audácia de Qorpo Santo são questionadas, como falar de Qorpo Santo? Como abordar Luís Dill? A obra de Dill fala de Qorpo Santo?
Meninos e meninas: leitores!
A Escola de Ensino Médio Eraldo Giacobe, de Pelotas, é a primeira escola regular de Ensino Médio do Sesi-RS. Sua proposta é ser “modelo” e, para tal, o projeto foi desenvolvido pelo com apoio de consultores doutores, com base nos melhores sistemas de educação.
A intenção é ser referência na educação para o mundo do trabalho com excelência acadêmica.
A escola – que busca o desenvolvimento integral do estudante com a construção de competências e habilidades via resoluções de problemas pautados no mundo do trabalho e com uma avaliação desafiadora e motivadora – recebe no máximo 150 estudantes em turmas de aproximadamente 26 adolescentes.
Com turno estendido, os meninos e meninas têm uma matriz curricular organizada em Código e Linguagens (30%), Matemática e Ciências Naturais (50%) e o restante em Ciências Humanas - história, geografia, sociologia e filosofia.
Na Sala de Leitura Erico Verissimo a moçada leu, falou, tomou café, dialogou e nos encantou. Acompanhados da Professora Juliane da Silveira Garcez e da Bibliotecária Adriana da Silva Sanches, mostraram a todos que a leitura é ponte para criar novas e interessantes relações.

Aguardamos a todos para a próxima!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sala de Leitura: estrela de um Curta!

A Sala de Leitura Erico Verissimo recebeu no dia de hoje, primeiro de junho de 2017, uma visita inusitada: uma equipe de estudantes de jornalismo e cinema vinculados ao PET GAPE, tutoriado pela professora Lilian Lorenzato. O objetivo da visita foi inserir a sala e seus projetos em um Curta institucional da FaE/UFPel.
Encomendado ao PET GAPE pelas coordenadoras da Licenciatura em Pedagogia, professoras Mara Osório e Valdelaine Mendes, o curta objetiva apresentar aos estudantes da Pedagogia todos os docentes (formação e linha de trabalho), seus ambientes de pesquisa e extensão e seus projetos.
Criada para promover a leitura literária no espaço acadêmico, a Sala de Leitura Erico Verissimo foi e tem sido responsável por propor e desenvolver micropolíticas de leitura. Entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres – como o Mediadores em Leitura Literária –, Saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes não convencionais como o corredor em frente à sala que se localiza no térreo do ICH.
Inaugurada em 17/12/2015, a sala funciona com a supervisão da Drª Cristina Maria Rosa (FaE/UFPel) e com o trabalho de estudantes (bolsistas PET e voluntários) da Licenciatura em Pedagogia. A cada semestre, oferece uma grade de horários em que pode ser visitada/usada, priorizando os momentos livres dos estudantes, como o intervalo entre turnos, por exemplo.

Para conhecer a sala e participar de suas atividades, fique atento ao BLOG do PET Educação e à página da UFpel. A programação é sempre atualizada e comunicada com antecedência. Gratuitas, todas as atividades são certificadas.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Leitura Literária na E.M.E.F.Antonio Joaquim Dias.

 Na manhã e na tarde do dia 18 de maio, quinta-feira, ocorre a primeira visita do GELL – Grupo de estudos em leitura literária – à Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Joaquim Dias, que se localiza na zona rural de pelotas.
Cercada por sítios, a escola recebe crianças pequenas (de cinco a 11 anos) inteligentes, alegres e que gostam muito de ler. O convite, vindo da professora Cristiane Mascarenhas, foi endereçado ao grupo de Leitura Literária na Escola, que existe desde 2001 na FaE/UFPel.
Pela manhã, o grupo será liderado pela Bruxa Mor. Mas  a Fada Madrinha, a Drª Girafalda Bixófila, a Branca de Neve, a Chapeuzinho Vermelho, a Cinderela e o “Doutor SabeTuuuuuudo” estarão por lá, de olho nas maldades dela. Acompanhados da "Violeira GabiLeal", será uma festa a ida do grupo à escola.
À tarde, o papinho com as crianças será de responsabilidade da Bruxa Mor, que, com seus 497 anos, vai ler para as crianças histórias verdadeiras. Também, ela tem um livro de família, herdado de seu tio, o Bruxo Charles Perrault. Quando este a presenteou, no século XVII, já contava 628 anos. Imaginem então, quantos anos tem o livro...

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Leituras para os pequenos: EMEI Bernardo

Na manhã do dia 11 de maio, ocorreu a primeira visita do GELL – Grupo de estudos em leitura literária – à Escola Municipal de Educação Infantil Bernardo de Souza. O convite, vindo da Diretora da Escola, professora Luana, foi endereçado ao grupo de Leitura Literária na Escola, do qual participam algumas estudantes bolsistas PET Educação. O desejo da diretora era que o grupo lesse para as 200 crianças que, em dois turnos, recebem uma educação de qualidade. A EMEI Bernardo se localiza na Rua Padre Anchieta, 3553. Para quem ainda não conhece, a referência é a Igreja da Luz.
As estudantes petianas Cinara Tonello Postringer (Fada),  Cláudia Souza (Fotógrafa), Érica Machado Leopoldo (Chapeuzinho Vermelho), Ieda Kurtz (Drª Girafalda Bixófila), Priscila Brock (Branca de Neve) e Roselaine Reis (Bruxa) encantaram as crianças com suas brincadeiras e livros. Foi uma festa o Leitura literária na EMEI Bernardo! Após o acontecido, a diretora escreveu: “Obrigada, Cristina. Elas fizeram sucessooo! Vamos querer bis!”
O Projeto
O Projeto "Leitura Literária na Escola" (COCEPE Número 52970044) vem sendo desenvolvido desde 2001 na UFPel, prioritariamente em instituições públicas de ensino infantil e fundamental.  Através dele são realizadas, semanalmente, leituras literárias para crianças. Essas leituras variaram de clássicos a modernos, passando por lendas, poesias e fábulas. Os leitores são estudantes da Licenciatura em Pedagogia e Letras, bolsistas do PET/Educação e voluntários.
Tendo como objetivos formar e qualificar professores leitores, entusiasmar estudantes a se tornarem pesquisadores no campo da leitura literária e oportunizar a todos os envolvidos o conhecimento de autores, gêneros e títulos da literatura para crianças, o Projeto Leitura Literária na Escola em como estrutura o estudo, a pesquisa e a intervenção, além da reflexão e da autoria, ao final de um ano de trabalho, de reflexões acerca do realizado em formato de artigo
Fazer com que estudantes de Pedagogia e professores que estão na escola dialoguem sobre a leitura literária, trocando informações e saberes, práticas e procedimentos também é um dos motivos que fazem com que o projeto tenha continuidade e seja, constantemente, avaliado e renovado.
Oportunizar a crianças que frequentam a escola o contato com a produção literária brasileira, especialmente, tem sido um dos focos do projeto que, em tempo concomitante, impulsiona os estudantes a saberem mais sobre a literatura e seus efeitos imensuráveis na vida escolar dos pequenos. Nesse aspecto, compartilhamos o pensamento de Fanny Abramovich (1997), para quem a literatura é a porta para um “caminho infinito de descobertas e compreensão do mundo”.