domingo, 5 de janeiro de 2020

Empoderar meninas: a literatura que há

Pesquisa desenvolvida em 2019, apresentamos um grupo de livros que sim, podem ser lidos, fruídos e problematizados na escola e fora dela. São livros que abordam sutil ou profundamente, os temas que importam a meninas, adolescente e mulheres no século XXI.
Desenvolvida pelo grupo PET Educação e em especial pela estudante JÉSSICA CORRÊA RIBEIRO, foi orientada pela Drª. CRISTINA MARIA ROSA e premiada na SIIEPE UFPel. A seguir, o resumo:
INTRODUÇÃO: Com a investigação busco delinear um acervo literário cujo foco é o feminismo e violência contra a mulher. Objetivo conhecer se há e quais são os livros de literatura que podem ser acionados em práticas de leitura com meninas na escola. Um de meus objetivos é fornecer uma lista de títulos que auxiliem os professores e estudantes de Pedagogia quando tratar do feminismo e da violência contra a mulher. Segundo GARCIA (2009) “o feminismo se articula como filosofia política, e ao mesmo tempo, como movimento social”. Desse modo, é importante observar que o feminismo se encontra no cotidiano das relações humanas. No entanto, no ambiente escolar ainda existe um receio quanto ao fato de se utilizar esta temática, acredito que por construções históricas e sociais presentes na história da formação e do exercício docente. De fato, ainda existe muito para se conhecer e questionar sobre o feminismo, mas é imprescindível que se aborde essa temática na escola, especialmente com as meninas, por serem elas as primeiras vítimas da violência contra a mulher no Brasil. Segundo BEAUVOIR (1967, p.30) “Tudo contribui para confirmar essa hierarquia aos olhos da menina. Sua cultura histórica, literária, as canções, as lendas com que a embalam são uma exaltação do homem”. Realizar leituras literárias que apresentem protagonistas mulheres sugere, informa e confirma às meninas que existe um lugar para elas, um lugar que não precisa mais ser idealizado. Fenômeno caracterizado “por um constante e reiterado desrespeito ao outro”, a violência contra a mulher deve ser pautada na escola, de acordo com ROSA (2017). A pesquisadora afirma que é urgente e necessária a reflexão sobre esta temática e indica que a Literatura pode ser um interessante instrumento para que discussões sobre esse tema, que é de todos, sejam desencadeadas. Assim, elenca entre títulos interessantes a serem lidos, alguns dos contos clássicos. Eles trazem informações, sutilezas, insinuações e, ao serem fruídos, propõem pensar sobre a condição humana e a condição da mulher independente de época e lugar. Um deles, o conto grafado por Charles Perrault em 1697, Chapeuzinho Vermelho, é considerado um poderoso alerta a meninas desde então (ROSA, 2017). Em uma obra interface entre a Psicanálise e a Literatura intitulada Fadas no Divã, os autores Diana e Mário Corso (2006) avaliaram os impactos dos contos de fadas na construção dos sujeitos. Na mesma rota, QUEIRÓS (2009), defende que a Literatura “possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado”. Ou seja, os alertas e denúncias que a literatura realiza, são fundamentais para as compreensões de si e do outro. Para ROSA (2017) “ao escolhermos uma obra a ser lida para nossas crianças em casa ou na escola, um grupo importante de critérios precisam ser considerados, entre eles, autoria, gênero, ilustrador, quantidade e qualidade do texto e até temas que podem desencadear indagações e diálogos acalorados”. Os critérios são fundamentais para a construção do diálogo, e facilitam no processo de procura de acervo. Estrutura acadêmica vinculada ao GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária da Faculdade de Educação da UFPel e apoiada pelo PET Educação –, a Sala de Leitura Érico Veríssimo está localizada no CCSH. É um ambiente de aprendizagens significativas e local pelo qual transitam professores e estudantes de vários cursos, entre eles, a Licenciatura em Pedagogia. Assim, ao realizar a pesquisa imagino facilitar a interação com o acervo que é amplo. Repletas de questionamentos e receios, as temáticas da violência de gênero, feminismo e empoderamento feminino demandam suporte teórico e mediação, o que pode ser feito a partir de: a) sujeitos (estudantes, pesquisadores, professores, familiares); b) obras adequadas, que apoiem o diálogo reflexivo e o tornem mais atraente e eficaz.
2. METODOLOGIA A metodologia de pesquisa é descrita por Minayo (1994, p. 16) como a confluência de “concepções teóricas de abordagem”, “conjunto de técnicas” que possibilitam a observação e análise da realidade e a influência do “potencial criativo do investigador”. Para a autora, a pesquisa qualitativa “responde a questões muito particulares” e se preocupa com “um nível de realidade que não pode ser quantificado” (MINAYO, 1994, p. 21). De acordo com essa abordagem, inicialmente empreendi uma pesquisa bibliográfica sobre os conceitos da temática escolhida. Pretendia tornar mais consistentes as concepções teóricas disponíveis sobre o feminismo e a violência contra a mulher. Logo depois, integrando o conjunto de técnicas, optei por:
a) Selecionar na SLEV um grupo de aproximadamente trinta títulos – corpus inicial – que mencionassem a temática do feminismo e/ou a violência contra a mulher;
b) Apresentar os títulos ao grupo PET Educação que integro como bolsista, a fim de que todos pudessem ler e escolher um para indicar à lista final;
c) Estabelecer como critério para o corpus final uma quantidade – onze livros literários – correspondendo às idades a quem seriam destinados – crianças entre quatro e quatorze anos;
d) Compor a lista de onze obras a serem indicadas; e) Escrita das conclusões.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Essa pesquisa surge com a necessidade de discussão sobre a temática do feminismo, além de possibilitar um apoio pedagógico aos estudantes e professores para que tenham consigo um acervo literário que aborde essa temática. Com doze bolsistas de semestres variados mais a presença da tutora, a discussão a respeito do que devia estar inserido na lista foi ampla e apaixonada. Após tocas, argumentos, considerações e disputas, a orientação criteriosa de livros adequados a crianças entre quatro e quatorze anos foi preponderante para as sugestões. Assim, os onze títulos selecionados e seus autores, organizados em ordem crescente de idade (4 aos 14 anos) são:
1) Maria vai com as outras, de Sylvia Orthof;
2) O cabelo de Lelê, de Valéria Belém;
3) Orie, de Lúcia Hiratsuka;
4) Teresinha e Gabriela, de Ruth Rocha;
5) Suriléa-mãe-monstrinha, de Lia Zats;
6) Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault;
7) Flora, de Bartolomeu Campos de Queirós;
8) Marieta Julieta Raimunda da Selva Amazônica da Silva e Sousa, de Mariana Massarani;
9) 50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer, de Débora Thomé;
10) Pele de Asno, de Charles Perrault;
11) Eu Sou Malala, de Malala Yousafzai.
Por fim, indico como futuro da pesquisa um seminário temático a fim de realizar o estudo e leitura das obras como suporte a ações de leituras literárias nas escolas a estagiários e professores interessados na temática. Como resultados, ainda, almejo divulgar o acervo em eventos, no Blog do PET Educação (http://peteducacao.blogspot.com/) e torna-lo disponível para leitura na SLEV - Sala de Leitura Erico Verissimo.
4. CONCLUSÕES: Ao realizar a pesquisa e formar a lista com onze títulos, pude concluir que existem livros de qualidade literária para serem lidos e problematizados. Nas obras selecionadas, temas como autoestima, aceitação, crescimento, empoderamento, a mulher na sociedade, violência contra a mulher, ser mulher profissional, histórias de mulheres, para mulheres, assédio moral/emocional e direitos e feminismo aparecem sutil ou abundantemente e, em alguns casos, desde o título. Os estudantes de Pedagogia e os professores que já estão nas redes de ensino públicas e privadas relatam grande dificuldade em encontrar um acervo para trabalhar com a temática do feminismo. Por isso, a importância de se realizar uma pesquisa com esse foco. Penso que um trabalho de análise possibilite a compreensão e exploração de títulos literários e seus desdobramentos na escola, com as crianças. Acredito que essa lista irá proporcionar auxilio e reflexão aos estudantes e professores, além de possibilitar uma leitura prazerosa e rica para futuras discussões. É importante ressaltar que os livros por si só já geram problematizações. No entanto, é necessário que o leitor reflita e questione durante sua prática de leitura para que assim haja uma interação e um diálogo prazeroso. Creio que a pesquisa irá gerar um momento literário magnífico para o leitor e seus ouvintes, pois a literatura é um instrumento, tanto para deleite, quanto para reflexões de si e do outro.

REFERÊNCIAS
BEAUVOIR, Simone. O Segundo sexo: A experiência vivida. São Paulo: Difusão Europeia do livro, 1967.
BELÉM, Valéria. O cabelo de Lelê. IBEP. 1ºed. São Paulo, 2012.
Contos de Fadas: de Perrault, Grimm, Andersen & outros. Apresentação: Ana Maria Machado; tradução Maria Luiza X. De A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
CORSO, Diana Lichtenstein; CORSO, Mário. Fadas no divã: psicanálise nas histórias infantis. Por
to Alegre: Artmed, 2006.
DÉBORA, Thomé. 50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer. 1ºed. Galera. Rio de Janeiro, 2017.
DESLANDES, Suely Ferreira. In: MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
GARCIA, Carla Cristina. Uma breve história do feminismo. 1 ed. São Paulo: Claridade, 2011.
HIRATSUKA, Lúcia. Orie. 1 ed. Rio de Janeiro: Pequena Zahar, 2014.
MASSARANI, Mariana. Marieta Julieta Raimunda da Selva Amazônica da Silva e Souza. 2 ed. Rio de Janeiro: Manati, 2008.
ORTHOF, Sylvia. Maria vai com as outras. 21ª ed. São Paulo: Ática, 2005.
QUEIRÓS, Bartolomeu campos de. Flora. Ilustrações: Ellen Pestilli. 2 ed. São Paulo: Global, 2009.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Manifesto por um Brasil Literário. Página Oficial. Acesso em 02/09/2019. Disponível em: http://www.brasilliterario.org.br/
ROCHA, Ruth. Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias. Ilustrações: Adalberto Cornavaca. 2ª ed. São Paulo: Salamandra, 1999.
ROSA, Cristina Maria. Critérios de escolha e de relevância de obras literárias infantis: um estudo. Alfabeto à Parte. 07 de Novembro de 2018. Acesso em 02/09/2019. Disponível em: https://crisalfabetoaparte.blogspot.com/search?q=livros+para+aprender+a+ser+e+gostar+dos+outros
ROSA, Cristina Maria. Maus-tratos emocionais e violência “benévola”: O que a literatura tem a nos dizer sobre o tema? Alfabeto à Parte. 07 de Novembro de 2018. Acesso em 02/09/2019. Disponível em: https://crisalfabetoaparte.blogspot.com/search?q=literatura+e+maus+tratos
YOUSAFZAI, Malala. Como uma garota defendeu o direito à educação e mudou o mundo. Tradução: Alessandra Esteche. 3º ed. São Paulo, 2018.
ZATZ, Lia. Suriléa-mãe-monstrinha. Ilustrações: Eva Furnari. São Paulo: Callis, 2005



quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Contistas da Literatura Brasileira: os melhores


Contistas da Literatura Brasileira: alguns dos melhores.
Cristina Maria Rosa

Escrever ou ler um conto é, com certeza, um prazer que muitos brasileiros já conhecem.
Temos, na história de nossa Literatura, a presença de muitos e bons contos, elaborados por excelentes escritores, de norte a sul do país. Temos, também, diversas tentativas de reunir os melhores em mais e mais antologias. Os autores dos "melhores" são, logo depois, procurados por ávidos leitores em busca de mais do mesmo: uma narrativa enxuta, com um início instigante, um ápice de tirar o fôlego e um desfecho sempre surpreendente. Essa uma fórmula imbatível. E não importa muito quantas palavras o autor utiliza para nos capturar para sempre. em poucos parágrafos ou em algumas páginas, o segredo é enlaçar o desavisado ou experiente leitor para mais e mais...

Uma pesquisa recente
Os melhores contistas da história da literatura brasileira foram escolhidos por indicação.
Helena Oliveira, da Revista Bula revelou que, entre os meses de março e outubro de 2019, uma enquete entre leitores buscou conhecer quais seriam os melhores contistas brasileiros.
Organizados em cinco categorias (+150 indicações, +100, +80, +50 e +30), os autores deveriam ser nascidos no Brasil ou naturalizados. O critério de desempate, quando necessário, foi o número de contos incluídos no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, de Ítalo Moriconi, publicado em 2000.
Quem votou?
Quatro mil e trezentos colaboradores, assinantes ou seguidores da página da revista no Facebook participaram. Eles escolheram escritores das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
Origem geográfica: 1º lugar) Minas Gerais foi o estado com o maior número de escritores mencionados, com cinco indicações; 2º lugar) Rio de Janeiro e São Paulo, com quatro indicados cada; 3º lugar) Região Sul, também com quatro autores indicados.
150 indicações: Lygia Fagundes Telles
Conhecida como a “dama da literatura brasileira”, é considerada a maior escritora nacional viva. Nascida em 1923, em São Paulo, ela iniciou sua carreira aos 15 anos. Entre seus 20 livros de contos, os mais conhecidos são “Antes do Baile Verde” (1970), “A Estrutura da Bolha de Sabão” (1991) e “Invenção e Memória” (2000). Lygia ganhou várias honrarias importantes, como o Prêmio Camões e o Jabuti
Vivos e mortos: Entre os escritores selecionados, 13 não estão vivos: Murilo Rubião, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, José J. Veiga, Rubem Braga, Fernando Sabino, Lima Barreto, Caio Fernando Abreu, Antônio Carlos Viana, Orígenes Lessa, Moacyr Scliar e Monteiro Lobato. Com relação à idade, o mais jovem é o gaúcho Amilcar Bettega Barbosa, que nasceu em 1964, e o mais velho é o carioca Machado de Assis, nascido em 1839.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Contadores e leitores de histórias: um evento na BPP

Contadores e leitores de histórias: um evento na BPP
Cristina Maria Rosa
Tutora PET Educação


Para invadir o imaginário de mais e mais aprendizes da arte de admirar livros, a Camila Pierzckalski, Pedagoga do Setor Infantojuvenil da Biblioteca Pública Pelotense criou um encontro de contadores de histórias. E convidou a SLEV - Sala de Leitura Erico Verissimo, para dividir responsabilidades.
O evento ocorrerá no dia 16 de novembro, sábado, entre as 9 e as 15 horas, nas salas centenárias da BPP. Acompanhe o programa, se inscreva e divirta-se!

Reunião preparatória: 30/10/2019
A SLEV no evento
O segundo encontro será realizado em parceria entre a BPP (setor infantojuvenil) e a Sala de Leitura Erico Verissimo (da FaE/UFPel). Os estudantes da Licenciatura em Pedagogia, do PET Educação e do GELL - grupo de estudos em Leitura Literária estarão no evento como:
1.      Personagens dos contos infantis na recepção aos inscritos;
2.      Mediadores das rodas de conversas simultâneas;
3.      Leitores de histórias 

Programa:
Inscrições: até dia 08/11, no site do evento;
Dia 16, 9 horas:
1. Recepção aos inscritos pelos personagens da BPP e SLEV - Sala de Leitura Erico Verissimo da FaE/UFPel;
2. Credenciamento na entrada da BPP;
9 horas e 30 minutos: Passeio explorativo do espaço da BPP: Camila Pierzckalski;
10 horas: Rodas de conversas simultâneas sobre os temas:
1. Mediação Literária e Práticas Pedagógicas - PET Educação;
2. Leitura Literária e a importância da formação de leitores - GELL FaE/UFPel;
3. Processo de Formação Leitora - Sala de Leitura Erico Verissimo
11 horas e 30 minutos: intervalo para almoço
13 horas e 30 minutos: Metodologias de leitura e contação de histórias com Camila Pierzckalski (BPP), Cristina Rosa (FaE/UFPel), Cinara Postringer e Paloma Wiegand  (SLEV), Estefânia Konrad, Jéssica Corrêa, Mariana Paz e Valdoir Simões (PET Educação);




Não perca! Vagas limitadas!
Reunião preparatória na BPP em 30/10/2019
Venha compartilhar suas impressões obre a leitura literária no 2º encontro de contadores de Histórias!
Ele ocorre no dia 16 de novembro, entre 9 e 15 horas, na Biblioteca Pública Pelotense. Faça sua inscrição e garanta sua ecobag!
Clique no site da BPP e não perca! As vagas são limitadas...

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Espetáculo literário O mate do João Cardoso

Espetáculo literário
O mate do João Cardoso
Cristina Maria Rosa
Coordenadora do GELL

O GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária, o PET Educação e a SLEV - Sala De Leitura Erico Verissimo convidam a todos para o espetáculo literário inspirado em Aldyr Garcia Schlee e João Simões Lopes Neto.
O Espetáculo foi criado em homenagem a Aldyr Garcia Schlee.
O texto de abertura foi colhido no Dicionário da Cultura Pampeana Sul-rio-grandense. Editora Frutos do País, 2019.

Fique atento às datas:
Espetáculo Literário O mate do João Cardoso: Um conto de João Simões Lopes Neto.
Onde? Auditório do Museu do Doce.
Quando? 02, 09 e 16 de Novembro
Hora: 16 às 17 horas.
Entrada franca.

Banner do espetáculo em 2018
Banner do evento
No sábado, dia 02 de novembro, o GELL colherá imagens para o banner memória do espetáculo.
Participe desse momento!
O que deves fazer? Vestir a indumentária do espetáculo e integrar o grupo no cenário.
As imagens colhidas serão inseridas no banner que registrará o acontecimento e as cenas do espetáculo em 2019.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

GELL na feira do livro: um espetáculo!


GELL em Outubro: Véspera da Feira do Livro 2019

Outubro é um mês importante para a leitura literária. O GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária da FaE/UFPel –, está promovendo ações de estudo, pesquisa e intervenção em grupos e escolas leitoras. O foco é cultivar o gosto por livros, autores e gêneros literários com muita leitura. Palestras, visitas, encontros e ensaios também estão na agenda do GELL, que é apoiado pelo Gruo PET Educação. 
Lançamento da Obra Coisas de Infância
Tendo recentemente – sábado, 28 de setembro de 2019 – realizado a leitura de parte dos contos pelos autores da obra digital Coisas de Infância no setor Infantojuvenil da Biblioteca Púbica Pelotense, às 16 horas, o Grupo se prepara para um mês repleto de atividades.
Conheça as datas importantes e participe:

OUTUBRO CALENDÁRIO
Dia 01 de outubro: Publicação da agenda de atividades no Blog da sala de leitura.
Dia 02 e 03 de outubro: Ensaio do Espetáculo “O mate do João Cardoso”. Mercado Público, 16 horas.
Dia 04 de outubro: Projeto Leitura para a Longevidade. Um programa de leitura especial para quem tem 60 +. Na Livraria Vanguarda, a partir das 14 horas e 30 minutos. Aberto ao público da cidade.
Dia 05 de outubro: Ensaio do Espetáculo O mate do João Cardoso. Mercado Público, 16 horas.
Dia 09 de outubro: Programa “Autora na Escola”. Visita e leitura literária na Turma A4C, da professora Katia Schneider. Colégio Municipal Pelotense, da professora Kátia Schneider. Leitura e confecção de livro digital com as crianças. Responsabilidade: Cristina Maria Rosa, 14 às 16 horas.
09 de Outubro, 19 horas: Palestra literária na Anhanguera. Público: Estudantes de Pedagogia. 
Dia 10 de outubro: Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Professores Leitores. CETEP. Tema: Literatura inclusiva: raça, gênero, diversidade, com Leonardo Capra (Pedagogo/UFPel). CETEP, 9 horas. Responsáveis: Simone Echebeste – Bibliotecária CETEP/SMED e Cristina Rosa - Doutora em Educação FaE/UFPel
Dia 11 de outubro:
14 horas: Poesia na Literatura: Explanação oral e exploração do acervo: Cecília Meireles, Mário Quintana, Manoel de Barros, Vinícius de Moraes, Sérgio Capparelli. UNAPI – Universidade aberta a pessoas idosas. Sala 103. Térreo do ICHS/UFPel.
15 horas: Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Professores Leitores. Tema: Literatura inclusiva: raça, gênero, diversidade, com Leonardo Capra (Pedagogo/UFPel). CETEP, 15 horas. Responsáveis: Simone Echebeste – Bibliotecária CETEP/SMED e Cristina Rosa - Doutora em Educação FaE/UFPel
16 de outubro: Professora Cristina Rosa integra Banca de Defesa de Projeto de Dissertação de Mestrado. Título do trabalho: Scripts de Gênero e a construção das feminilidades negras na Literatura para crianças pequenas. Autora: Vanessa Rosa da Costa. Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Orientadora: Prof.ª. Drª. Jane Felipe de Souza. Linha de Pesquisa: Educação, Sexualidade e Relações de Gênero. PoA, 16/10/2019, 14 horas.
17 de outubro: Aula TPP I – Licenciatura em Pedagogia. Avaliação de temas importantes para a literatura na escola.
18 de outubro:
14 horas: Poesia: um gênero da literatura para crianças. Como ler poesia na escola? UNAPI – Universidade aberta a pessoas idosas. Sala 103. Térreo do ICHS/UFPel.
17 horas: Ensaio do Espetáculo “O mate do João Cardoso”. Sala do PET Educação.

21 a 25 de outubro – SIIEPE UFPel
O GELL estará no evento apresentando trabalhos na área da leitura e da literatura. Em breve, o calendário. Além disso, o grupo estará em escolas públicas, realizando leituras literárias.
21 de outubro: Personagens vão à escola – Leitura Literária na escola Ruth Blank;
25 de outubro: Personagens vão à escola – Leitura Literária na escola Ruth Blank;
30 de outubro: Ensaio do Espetáculo “O mate do João Cardoso”. Sala 257. FaE/UFPel.
31 de outubro: Palestra: Perfil Leitor, com Leonardo Capra Seminário livro literário Ana Maria Machado. 19 horas, sala 256. Licenciatura em Pedagogia da FaE/UFpel.


Novembro: GELL na 47ª Feira do Livro:
Neste ano, o GELL vai concentrar suas atividades na Feira do Livro apresentando à cidade o Espetáculo O mate do João Cardoso, de JSLN. É uma leitura teatralizada do conto de autor pelotense que será ofertado gratuitamente ao público nos dias 02, 09 e 16 de novembro, no Auditório do Museu do Doce (Casarão 8 - Centro Histórico), às 16 horas e 30 minutos. Lotação da sala: 40 lugares.
Em novembro, atualizaremos o blog com a programação. Acompanhe!

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Livros para bebês: criança pequena não pode ser subestimada!


Livros para bebês: criança pequena não pode ser subestimada!
Cristina Maria Rosa

A categorização das obras que deram início ao acervo da SLEV – Sala de Leitura Erico Verisisso – foi inspirada nos critérios desenvolvidos por Fanny Abramovich (1989), Nelly Novaes Coelho (1993) e Maria Betty Coelho Silva (1991). Para as autoras, a criança que se encontra na primeira infância (entre zero e seis anos) é o potencial leitor, pré-leitor ou leitor pré-escolar.
Para Abramovich (1989), a literatura tem linguagem fluida e aborda os problemas de modo discursivo. Assim, os critérios a serem adotados quando da escolha de obras são:
a) ter como princípio que a formação do leitor inicia pela audição de muitas histórias;
b) escolher inicialmente histórias curtas e bem humoradas, inteligentes, criativas, que surpreendem e investir na escolha – intransferível e pessoal – de obras a serem lidas pelos leitores;
c) observar de forma crítica como os personagens são representados nas ilustrações, especialmente os pobres, as mulheres, os indígenas, japoneses e negros, as mães, tias e professoras;
d) priorizar a presença de humor, o deboche saudável, a ironia, o nonsense, a presença de personagens nada comuns;
e) preferir obras com presença da lógica da criança;
f) inserir a poesia “boa, bem escrita, que mexe com a emoção, que nos aguça, que nos deixa um pouco diferente depois de cada verso”;
g) propor obras que oferecem informação e verdade, pois “entender o processo de como nascemos até quando morremos faz parte natural da curiosidade da criança”;
h) ler integralmente os “Contos de Fadas” pela abordagem do amor em todos os seus prismas: descoberta, encanto, possibilidade, entrega, plenitude, sofrimento, angústia, injustiça, tristeza, obstáculos, dúvidas, identidade, rejeição, perdas, esquecimentos, revelações de sexualidade, da vida e da morte.
Para Nelly Novaes Coelho (1993) a categoria leitora está vinculada a três fatores: “idade cronológica, nível de amadurecimento biopsíquico-afetivo-intelectual e grau ou nível de conhecimento/domínio do mecanismo da leitura”. Assim, indica compor um acervo a partir da seguinte divisão: 1) pré-leitor (primeira infância que inclui bebês dos 15/17 meses aos 3 anos e segunda infância, com crianças a partir dos 2/3 anos); 2) Leitor iniciante ou crianças a partir dos 6/7 anos; 3) Leitor em processo ou crianças a partir dos 8/9 anos; 4) leitor fluente ou criança a partir dos 10/11 anos e 5) leitor crítico, já um pré-adolescente a partir dos 12/13 anos.
Para Maria Betty Coelho Silva (1991), devem ser respeitadas as peculiaridades e os estágios emocionais das crianças na escolha dos livros. “Alimento da imaginação”, as histórias precisam respeitar a “estrutura cerebral” infantil. A autora faz um quadro demonstrativo de interesses, no qual divide os leitores em pré-escolares e escolares. E divide os pré-escolares em duas fases: a pré-mágica (crianças até três anos) e a mágica (crianças de três a seis anos). Aconselha para os primeiros, histórias de bichinhos, brinquedos, objetos, seres da natureza (humanizados), história de crianças. Para os demais, histórias de repetição e acumulativas, além de histórias de fadas.
Os bebês e a leitura
Pouco estudados no século XX, esse grupo de leitores em formação (bebês em sua maioria não escolarizados) eram pouco visados pelas políticas públicas e pela indústria do livro. O comum é que editoras criavam brinquedos que imitavam livros como os de pano, de borracha, de plástico e outros materiais resistentes ao tato, ao gosto, à água, À falta de traquejo das mãos infantis.
Em fins do século XX e início do XXI, a presença intensa de bebês nos berçários e escolas infantis desencadeou estudos com o intuito de prescrever quais seriam os livros que poderiam ser utilizados na alfabetização literária dessas crianças. Para Abramovich (1989), Coelho (1993) e Silva (1991), deveriam ser livros lidos por adultos para as crianças, ilustrados, bem humorados, poéticos. E deveriam conter histórias sobre bichos, brinquedos, objetos, seres da natureza, histórias de repetição e acumulativas. Obras com predomínio da fantasia como contos de fadas, mitos, lendas e fábulas e atitudes como o desenvolvimento da apreciação critica da leitura são recomendados. Pouco texto, muita gravura, cor e, em alguns casos, sons também foram sugeridos e apareceram no mercado. Livros de panos, livros-brinquedos e somente de imagens aparecem com frequência nos catálogos de Editoras.
Alfabetização Literária
No processo de apresentação do mundo da leitura literária ao bebê, penso que a criança pequena não pode ser subestimada.
A leitura de livros pode ter início assim que ela ficar ereta, sentada no colo do adulto, na cadeirinha ou no “bebê-conforto”. Para tal, o leitor (mãe, irmão mais velho, professora, cuidadora) deve escolher um excelente texto que pode ou não ser ilustrado. Defendo que, durante a leitura do texto escolhido, o som da voz e os ritos da leitura (escolher, abrir folhear, indicar imagens, fechar, guardar) são formadores desse leitor em potencial, tornando a leitura “de verdade” e não apenas imitação ou distração.
E lembre: um livro não é um brinquedo: é o artefato mais importante da cultura escrita e a leitura, seus atributos e sentidos podem ser adquiridos desde tenra idade.

Para Debus (2015), “a criança se constitui leitor bem antes de dominar o código escrito” e, nesse processo “a interação com o professor e as outras crianças do ambiente educacional é fundamental”. Assim, afirma a pesquisadora, “a constituição do acervo da educação Infantil não deve se restringir somente a livros-objetos, livros só de imagens ou livros com poucos textos; além desses, é salutar que existam narrativas encantatórias, poemas e textos mais longos, que muitas vezes não serão manuseados pelas crianças, mas farão parte do seu repertório por intermédio do professor”.